sábado, 30 de outubro de 2010

Já não quero o amor das flores

tão belas...marcantes

efêmeras

e cheias de espinho

quero antes,

o amor da montanha

que sobrevive tranqüila

à passagem do tempo

quero ainda,

a certeza do rio

que não seca e nem muda seu curso

já não quero o amor das nuvens

que apesar da suavidade

não possuem textura alguma

...só miragem...

quero antes

o amor de um dia ensolarado

que se mostra com cuidado

e às vezes se deixa levar

porém,

o sol nunca se vai

ainda que o manto da noite

o cubra para descansar...

quero ainda,

o amor suave do Ipê

corajoso não tem medo de recomeçar

às vezes se mostra florido

em sua face mais bela

para depois

se desmanchar em um tapete colorido

no chão...

despido,

só os galhos vazios

a lhe sustentar

porém sua raíz permanece firme

na terra

...seu lugar...

já não quero o amor da borboleta

que da larva nasceu

e alçou vôos coloridos

somente para logo depois...perecer...

quero agora,

o amor de uma rocha

que apesar de ser dura

sustenta o mundo ao redor

sem perigo de despencar...

já não quero o amor

da tempestade

que poderosa arrasta tudo ao redor

quero antes...

ainda...

agora...

amor de calmaria

amor de poesia

que ainda não sei encontrar...!!!!