Já não quero o amor das flores
tão belas...marcantes
efêmeras
e cheias de espinho
quero antes,
o amor da montanha
que sobrevive tranqüila
à passagem do tempo
quero ainda,
a certeza do rio
que não seca e nem muda seu curso
já não quero o amor das nuvens
que apesar da suavidade
não possuem textura alguma
...só miragem...
quero antes
o amor de um dia ensolarado
que se mostra com cuidado
e às vezes se deixa levar
porém,
o sol nunca se vai
ainda que o manto da noite
o cubra para descansar...
quero ainda,
o amor suave do Ipê
corajoso não tem medo de recomeçar
às vezes se mostra florido
em sua face mais bela
para depois
se desmanchar em um tapete colorido
no chão...
despido,
só os galhos vazios
a lhe sustentar
porém sua raíz permanece firme
na terra
...seu lugar...
já não quero o amor da borboleta
que da larva nasceu
e alçou vôos coloridos
somente para logo depois...perecer...
quero agora,
o amor de uma rocha
que apesar de ser dura
sustenta o mundo ao redor
sem perigo de despencar...
já não quero o amor
da tempestade
que poderosa arrasta tudo ao redor
quero antes...
ainda...
agora...
amor de calmaria
amor de poesia
que ainda não sei encontrar...!!!!