domingo, 4 de maio de 2014

...quem sou eu?
não me traduza em uma
estrofe
nem me dê uma
etiqueta

eu sobrevivo
de letras...

como pontos de luz
em uma noite escura

entre a demência e a “cura”

há um quase louco
docemente declamando
poesias...

 

ele teme ser apenas parte
da paisagem
da passagem
do dia...

que eu sou???

não me mostre um espelho
buscando um reflexo
meu nexo
tem um tom reservado

 

eu sou feita de nuvem
e me desfaço
 na tempestade

dela...
sou parte
e
me reinvento ao primeiro
pingo...

...uma lágrima só...

corajosa
firmando um caminho desconhecido
mas...
meu “ninho”
espera por mim...

quem sou eu??
não me pergunte

afinal,
eu também estou aqui!!!!

me vesti com o corpo adequado
e
neste lugar
tenho encontros marcados
provas...que
com todo cuidado
eu mesma escolhi para mim....

então
não me desenhes
em preto e branco

eu me transmuto
de acordo com o tom
da vida...

e
 
há cada chegada e partida
dou-me mais uma pincelada...
mais um passo
na minha singular
e particular...estrada...


eu te fotografei na minha lembrança
e
eternizei nossa história
em um poema

sozinha
desmarquei a cena
e "deslembrei" o caminho
que me levava até ti


para não haver o risco
de fraquejar


sim


o amor não acaba
mas
às vezes decide partir


quando vivenciar
tem o poder de
desenterrar
um velho fantasma


eu vi
quando você percebeu
que meu olhar
preteriu o teu


e apenas passou a ser
parte da paisagem


é preciso
muita coragem
para renunciar


quando o corpo arde
e
o coração palpita


quando a fala cala
mas,
a alma grita...
querendo entender



porque?
fala baixinho amor...
fala brando comigo
...eu tenho medo de ouvir-te
tão perto da minha lembrança

olha-me de um jeito afável
não derrame em mim
essa fúria incontida

eu já presenciei
muitas vezes
o amor
pouco a pouco morrer
engasgado de tanto sofrer

eu já fui resto de brisa
tentando aceitar
que às vezes
o mar precisa ir
seguindo a vazante

mesmo que deixe chorando
em outro porto
sua amada...amante...

mas
não desesperes amor
há uma certa delicadeza em deixar
que algo assim vá embora

como se a aurora se renovasse
e
mansamente explicasse
que o amor
sem o alimento adequado
também enlouquece

e
esquece
que nasceu para iluminar
o caminho

dos viajantes...