quarta-feira, 27 de julho de 2011

olhe-me de frente

eu sou viajante
se me perco um instante
da rota
que planejei
eu movo montanhas
e volto para as entranhas
do meu ser
em busca de mim

me olhe abertamente
e veja em meu olhar
o quão distante
são nossos mundos

quantas vidas num mesmo
segundo
eu já vivi

o medo até
pode me escravizar

mas 
quando lembro quem sou
das lutas intermináveis
que minha alma enfrentou
descanso

porque eu sei
que mesmo bravo
o mar também
sabe ser manso

e eu vivo de acordo
com meus instintos
eu por vezes
grito...choro
minto

mas sou capaz de 
me reconstruir
do nada

quantas vezes te
falei
que minha estrada é
bem maior que 
você

posso andar milhas até
esquecer

ou
tão somente esperar

porque há alguém
em algum lugar
que me cura

um alguém que 
eu só consigo
encontrar
quando olho 
por meio das janelas
do meu ser

olhando o espelho
consigo então vislumbrar
a essência da vida
que o criador
me concedeu

a força curativa
que a cada dor
cada segundo de sofrimento
me empurra
ao encontro do
tempo particular
de cada ser

mas
com as distrações do mundo
como é fácil esquecer
o caminho

olhe-me sem máscaras
sem disfarces ou
qualquer defesa

olhe-me apenas
e verás com clareza

que a cada segundo 
eu reconstruo meu mundo

e o tempo acontece
dentro de mim...