olhe-me de frente
eu sou viajante
e
se me perco um instante
da rota
que planejei
eu movo montanhas
e volto para as entranhas
do meu ser
em busca de mim
me olhe abertamente
e veja em meu olhar
o quão distante
são nossos mundos
quantas vidas num mesmo
segundo
eu já vivi
eu já vivi
o medo até
pode me escravizar
mas
quando lembro quem sou
das lutas intermináveis
que minha alma enfrentou
descanso
porque eu sei
que mesmo bravo
o mar também
sabe ser manso
e eu vivo de acordo
com meus instintos
eu por vezes
grito...choro
minto
mas sou capaz de
me reconstruir
do nada
quantas vezes te
falei
que minha estrada é
bem maior que
você
posso andar milhas até
esquecer
ou
tão somente esperar
porque há alguém
em algum lugar
que me cura
um alguém que
eu só consigo
encontrar
quando olho
por meio das janelas
do meu ser
olhando o espelho
consigo então vislumbrar
a essência da vida
que o criador
me concedeu
a força curativa
que a cada dor
cada segundo de sofrimento
me empurra
ao encontro do
tempo particular
de cada ser
mas
com as distrações do mundo
como é fácil esquecer
o caminho
olhe-me sem máscaras
sem disfarces ou
qualquer defesa
olhe-me apenas
e verás com clareza
que a cada segundo
eu reconstruo meu mundo
e o tempo acontece
dentro de mim...