sexta-feira, 20 de maio de 2011

será que alguém
que não sentiu
como minha vida fluiu
tem o direito de me julgar

eu não sei

mas eu me visto
do que me convém
e
não nego
nada do que me vai
no coração

por vezes
sou toda emoção

não tenho culpa
se meu sentimento
te magoa

ou
se ao me ver
enxergas em mim
a sombra
de alguém que 
já  se foi

você me olha
e não vê
não percebe a delicadeza
do que  eu senti

eu 
por muito querer
morri
e renasci
ao deixar o passado
passar

mas,
não  me rotules
sem me visitar
no íntimo

você não sabe de onde eu venho
e pode não 
entender

eu sou àquela que amou a
primavera
mas somente ao outono
se entregou

sou também
alguém que esqueceu a razão
viveu o todo
de uma emoção e
se machucou

eu poderia te falar
das vezes em que esperei
das madrugadas insones
em que me perguntei
o que havia 
ocorrido

como algo tão puro
poderia ter tão
simplesmente acabado
deixado de lado
por mera ilusão

mas quando quiseres
me olhar
e achar que somente em 
me ver
poderá desprender
de mim 
minha essência

olhe a sua carência
tão estampada em
você

e antes de
tentar me ensinar
como se deve amar

pense nos momentos
em que questionas meus sentimentos
por estar também
tão perdido

e não me julgues
por ter partido

...coragem
...covardia

você não sabe
o quanto de ousadia
eu busquei
ao tentar esquecer

ao deixar você
deixei uma parte
da minha história
um pedaço 
que ainda chora
por não mais existir

e se mesmo assim
preferires ser o juiz 
do meu coração

saiba que minha solidão
não pode ser roubada
por quem nada
tem a oferecer...
...