há uma parte de mim...
que não consigo entender...
por vezes me desafio...
sou feita de uma matéria
macia...
possuo o dom de acalentar...
eu amo e amo muito
mas
...se desacredito...eu sofro...grito...choro
e num instante
faço o velório...porque
algo morreu
de outro lado sou como uma concha
que se nega a ouvir o canto do mar...
sou dura e tenho limites
de ferro e fogo
só não mordo
porque me falta a ocasião
por vezes sou toda razão
noutras...chego às raias da demência
não me fales em clemência!
há um tribunal de exceção
que habita em mim
e quase sempre sou ré principal...
se condeno
ou absolvo
se me entrego
ou decido partir
ah...
pois quando vou embora
a metade de mim que ainda
chora...
é trancada em um porão...








