quarta-feira, 13 de abril de 2011

...sai...
esquece a tristeza 
que sinto
esquece a alegria
que tanto persigo
esquece meu nome
...eu não ligo...

sai...
e leva contigo
todas as ilusões
destrói todos os
laços
pois, 
a cada
instante
ouço de volta
teus passos

sai...
mas não demonstra
felicidade
disfarça
ignora minha solidão
sai
enquanto minha
alma se despedaça...

(escrita há muitos anos atrás)
há culpa de alguém...
eu não sei...
se era previsível
esqueci de questionar...

mas,
foi sincero
sine-cera
como diriam os romanos
“puro
sem quaisquer
retoques”

límpido e sem
maldade
quem poderia julgar...
o amor não
pergunta
se há certo
ou errado

vem
muda conceitos
de uma vida inteira
dispõe vidas
enlouquece
quem o desafia

à luz do direito
poderia então
 arder em meu peito
um fogo tão
alto assim...

é justo imputar
sofrimento
devolver para mim
o resultado do
que eu escolhi...

eu não sei...

mas eu
vivo noites e dias
num tribunal íntimo
que perpetua meu julgamento

e antes mesmo
de ser condenada
já cumpro a pena
que me encarcerou
no passado

de onde relembro
cenas
de uma história
que só existiu
dentro de mim...