terça-feira, 28 de junho de 2011

um dia
alguém lhe contara
que a pérola nascia da dor

do sofrimento da ostra
que precisava
de qualquer maneira
isolar o que lhe 
afligia


eu entendi nesse dia
que já tenho quase um colar
pois que
toda vez que eu choro
a cura em mim se processa
e eu não tenho pressa

...só quero crescer...

uma vez,
também lhe disseram
que o ipê
era o significado mais
puro das etapas da vida
um dia
estava florida



e noutro
só os galhos nus
lhe sustentavam
até que voltasse
de novo a florir

quantos ipês
terei sido

nem sei

tantas vezes
pensei ter morrido
apenas para de novo
começar a florir

eu 
tantas vezes precisei partir
e me vesti
de lutas
incontáveis

eu já fui
filha do vento
já morei com a tempestade

fui mãe de uma linda
flor 

e hoje
tudo o que vejo
tudo o que sou
é ostra em dias de luta
é ipê
se vestindo de novo
para vida

eu nunca tive
medo de despedidas
só que demoro a aceitar...

uma vez,
quando ela ainda era menina
lhe contaram
que a borboleta nascia
da triste agonia
da lagarta

eu me pergunto então
como sentia o coração da
lagartinha
que ainda não sabia como seria viver
presa em um casulo

mas,
no momento de dor
ela não percebeu
que se não fosse apressada
e aceitasse
viver
cada etapa
que a natureza
lhe impelia
ela iria mudar

eu queria ter
dito
que ela não precisava
de pena
e se lutava 
era porque desconhecia
o quão bela seria
se aceitasse
seguir em frente ...
até que aprendeu a voar




você...
meu amor sem reservas
fonte de toda alegria
dono das minhas dores
letargias

você
que escreveu com
sangue seu nome
na parede
e sempre lutou 
para ser melhor

lutou contra a história
de vida
contra a sociedade
que o pariu
tão pobre
lutou contra
a face escura
de si

ah...quando eu nasci
você disse
que já me esperava
e foi sempre
o companheiro mais
doce
o amigo fiel
e sem restrições

o bandido que eu
não pude entender

ah...você
a antítese de toda
minha vida

a mais triste partida
que já tive de viver

olhando nossos momentos
eu queria só
dessa vez
que você me colocasse
no colo
e me ensinasse
novamente a andar

eu queria de novo
meu professor
que você me explicasse
porque a gente sofre
quando tenta arriscar

você dono do meu lado
animal
daquele lado
escondido
que a gente tem medo
de mostrar

ah...eu queria
tanto te falar

mas
hoje eu não queria
que você pudesse me ouvir
tenho medo do que possas sentir
hoje,
condeno minha história
eu 
queria ter crescido
das dores da vida rido
aprendido a 
ser mais humana

eu vivi
cercada de fantasias
vivi sempre minha alegoria
e agora
preciso ser real

fico tentando encontrar
dentro do meu relicário
aquele conselho
aquela palavra
que eu não sei se
foi dita

a mais feia
a mais bonita
e todo o contexto que
me fez assim

eu não sei muito 
de você
e queria hoje
entender
quem é você  
afinal

meu amor incondicional
meu inimigo mortal
meu conselheiro
enfim

você sempre buscou
em mim
a paz que eu soube
te dar

a paz perfeita
a aceitação que eu
não conseguia

você foi meu guia
me ensinou a sempre
e de qualquer lugar
...a recomeçar...



um dia...
a menina perdeu as asas
e não mais conseguiu voar
achou muito difícil entender
porque tudo tinha que mudar

então
ignorou o mundo
e deixou o tempo passar
mas lhe doía tanto
sem que ela soubesse o porque

achou muito difícil entender
porque tudo tinha que mudar
se fechou em um lugar
só seu

e viveu sempre à espera
do nunca aconteceu

o tempo passou
a menina então era mulher
mas não sabia
como deveria agir

viu-se perdida
diante do desconhecido
sorriu
gritou
por fim,
a menina perdida
simplesmente chorou...

e seu choro sempre foi
semente
a brotar em seu coração
toda vez que se angustiava
ela crescia
e nem percebia
era a angustia de 
amadurecer

a menina sorri
mas sabe o que é sofrer
luta para vencer sua
sua história
e agora
ela quer esquecer...

OBS: do fundo do baú...rs...feita há muito tempo atrás