terça-feira, 17 de maio de 2011

ele nasceu com
sobrenome emprestado
cresceu na margem do rio
lutou para vencer
conheceu o amor
mas,
não soube dele cuidar

seu nome era 
...José...
era puro
mas o mundo
não lhe permitiu
ser como deveria

por amor
dividiu seu nome comigo
me chamava
flor de janeiro
dizia-se jardineiro
e
 prometeu-me
sempre cuidar

um dia 
ele partiu
esqueceu somente de
avisar
foi-se tão de repente
só deixou o 
vazio em seu lugar

foi lutar sua própria
batalha
foi-se em companhia
dos livros
que lhes eram a razão
da vida

 ele foi professor
e com sua didática 
nada convencional
me mostrou o quanto
é importante
acreditar

me chamou de mãezinha
foi para mim
o afeto mais puro
do meu coração

minha ponte com
o mundo
meu amor sem explicação

onde estarás 
me pergunto
e porque nunca mais
respondeu meu chamado

eu fico aqui relembrando
teus traços
por medo
de perder teus detalhes
para o tempo

questionando o senhor
da vida
se a partida é 
sempre assim

uma viagem
que não se anuncia
destino desavisado
será pecado
...perguntar...


eu queria entender
porque foi que eu perdi
você
e os anos que ainda
poderiam ter sido
escritos em nossa
história

eu ainda tinha tanto 
para aprender
a flor de janeiro 
tem medo de amar
e por ter medo
sofre

eu cresci
mas ainda queria
ser tua menina
e poder
voltar pro teu
colo
quando a vida 
me machucasse

queria ouvir
tua reclamação
compartilhar teu silêncio

...eu queria uma explicação...

mas eu canso de
perguntar
e ninguém me diz
algo que consiga
aplacar a tristeza
que ainda sinto

o silêncio da tua voz
a ausência do teu cheiro
só a lembrança do
teu sorriso
distrai-me um pouco 
e me leva pra junto 
de ti


...se você estivesse aqui...

materialmente falando
eu sei que iria
rir
da minha fúria

me lembraria dos tempos
em que a gente
saia
pelo dia sem
nada fazer

dos momentos de 
carinho
ou
das discussões sem
sentido
sobre os assuntos
mais
indefinidos
ou sem importância

você provocava
meu argumento
passava assim o momento
e voltava para mim
os olhos de chumbo
que ainda hoje
me fazem companhia

eu ainda vejo 
o amor neles refletidos
 sinto
a energia sincera
que ainda hoje
acelera meu coração

eu queria saber
o que acontece
quando o dia tão
de repente 
anoitece
e o mundo
mergulha na escuridão

se há uma prece
eu não sei

mas
me pergunto
como é o teu mundo
agora

sabe,
depois daquele ano
outros vieram
me arrastaram
no tempo

foram tantos os
momentos
em que orei
pedindo para que você
do seu lugar
pudesse comigo
compartilhar
as emoções

eu quis tantas
vezes
teu colo de novo

quis tanto
que você
estivesse aqui

só por um segundo
esquecer as barreiras naturais
da existência
e nos
teus braços me perder

eu queria
ser de novo menina
e estar contigo
sonhando em
como seria minha
vida

queria te contar meu ideais
desafiar tua autoridade
ah
como tenho saudade
do teu jeito
de me ensinar

...foi tácito...
será que onde estás
você consegue lembrar

das poesias
que a gente leu
a flor de janeiro
nasceu
mas demorou tanto a
florescer...

demorou tanto
a encontrar
o perfume que lhe
tocava a essência

teve tanto medo
do mundo
e quis ser perfeita
...não deu...

a flor de janeiro
 sofre
e sente falta
do abrigo
falta-lhe o jardineiro
que se foi
sem avisar...
...