sexta-feira, 1 de abril de 2011

olho para o lado e
vejo uma face querida
mas há tão pouco tempo
estranha para mim...
me assusto com
a intimidade 
instantânea
com quem eu 
nunca vi
e
de repente
já até mora no
meu coração
  a
solidão da cidade
grande
aproxima
quem daqui tem medo
olhei para olhos misteriosos
e dei-lhes logo
meus segredos
hoje 
não me sinto tão só
são sonhos comuns
e lamentos tão diferentes
saudades individuais
amores distantes
necessidades iguais
e assim de repente
a tristeza refletida 
levou a formalidade
de imediato embora
e a lágrima de cada um
passou pela face de ambos
falando de pessoas e lugares
que o outro nunca pôde ver
mas de tanto falar
faces desconhecidas
tomaram lugar
e fazem sentido para mim
e então,
os nomes que há pouco 
eram mera ilustração
num papel qualquer
ganharam toque
todo especial
são histórias que aqui
parecem irreais
vieram 
tão longe do seu lugar
e agora
juntos choram
e fantasiam
o dia em que 
cada um voltará
para os afetos seus
e
enquanto esse dia não
vem
outros tesouros
passaram a 
procurar
 nas longas horas de silêncio
conjunto
nas tardes  quentes
noites todas iguais
nos breves intervalos
cheios de confidências
pedaços reais
incoerências
 dores e alegrias
medos e ousadias
de quem 
largou a segurança
de um mundo querido
para procurar abrigo
na imensidão...!!!!