ele nasceu com
sobrenome emprestado
cresceu na margem do rio
lutou para vencer
conheceu o amor
mas,
não soube dele cuidar
mas,
não soube dele cuidar
seu nome era
...José...
era puro
mas o mundo
não lhe permitiu
ser como deveria
por amor
dividiu seu nome comigo
me chamava
flor de janeiro
dizia-se jardineiro
e
prometeu-me
sempre cuidar
um dia
ele partiu
esqueceu somente de
avisar
foi-se tão de repente
só deixou o
vazio em seu lugar
foi lutar sua própria
batalha
foi-se em companhia
dos livros
que lhes eram a razão
da vida
ele foi professor
e com sua didática
nada convencional
me mostrou o quanto
é importante
acreditar
me chamou de mãezinha
e
foi para mim
o afeto mais puro
do meu coração
minha ponte com
o mundo
meu amor sem explicação
onde estarás
me pergunto
e porque nunca mais
respondeu meu chamado
eu fico aqui relembrando
teus traços
por medo
de perder teus detalhes
para o tempo
questionando o senhor
da vida
se a partida é
sempre assim
uma viagem
que não se anuncia
destino desavisado
será pecado
...perguntar...
eu queria entender
porque foi que eu perdi
você
e os anos que ainda
poderiam ter sido
escritos em nossa
história
eu ainda tinha tanto
para aprender
a flor de janeiro
tem medo de amar
e por ter medo
sofre
eu cresci
mas ainda queria
ser tua menina
e poder
voltar pro teu
colo
quando a vida
me machucasse
queria ouvir
tua reclamação
compartilhar teu silêncio
...eu queria uma explicação...
mas eu canso de
perguntar
e ninguém me diz
algo que consiga
aplacar a tristeza
que ainda sinto
o silêncio da tua voz
a ausência do teu cheiro
só a lembrança do
teu sorriso
distrai-me um pouco
e me leva pra junto
de ti
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