era um dia qualquer
tinha amanhecido
como todos os outros
sem nada mais
especial
se encontram
por banalidades
cega
por uma lembrança distante
não ouviram fogos de artifício
nem corações pularam
de seus olhares
ela nem focava direito
sua face
tão perdida estava
em uma saudade
mas os dias foram passando
e
a fazer sentido
...
ele falava em direito
dias melhores
sonhos possíveis
de se vivenciar
ela falou de seus livros
seu lugar preferido!
...o lugar de onde veio...
ele zombou de sua
cultura
mas trazia um sotaque
esquisito
um jeito de quem sabia
o que ela sentia
mesmo sem confirmar
ele dizia os "porquês"
puxados
ela ria de seu jeito
ele lhe contou
que também era
de um lugar diferente
falava de coisas que ela
reconhecia
suas experiências
suas fantasias
ela dividiu com ele
o som do rio quando
lhe mostrou o brilho
da lua que na água refletia
ele lhe falava de igualdade
de como o mundo seria
melhor se
pautado na dignidade
ela lhe falava de músicas
poesias que lhe tocavam
ele dos lugares que
precisou ir
do fusca velho que
lhe fez companhia na adolescência
ela olhou para ele
e pela primeira vez
viu sua essência
escondida em um máscara de
seriedade
e então
começaram a se ver
enxergaram-se
verdadeiramente
e assim,
olhando-se de frente
um mundo novo
para eles
começou...








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