domingo, 28 de agosto de 2011

era um dia qualquer
tinha amanhecido
como todos os outros
sem nada mais
especial

se encontram 
por banalidades
ela com olhos vendados
cega
por uma lembrança distante

não ouviram fogos de artifício
nem corações pularam
de seus olhares

ela nem focava direito
sua face
tão perdida estava
em uma saudade

mas os dias foram passando
então as frases começaram
a fazer sentido
...
ele falava em direito
dias melhores
sonhos possíveis
de se vivenciar

ela falou de seus livros
seu lugar preferido!


...o lugar de onde veio...

ele zombou de sua
cultura
mas trazia um sotaque
esquisito

um jeito de quem sabia
o que ela sentia
mesmo sem confirmar

ele dizia os "porquês"
puxados
ela ria de seu jeito
de menino levado

ele lhe contou 
que também era
de um lugar diferente

falava de coisas que ela
reconhecia
suas experiências
suas fantasias

ela dividiu com ele
o som do rio quando
está enchendo
lhe mostrou o brilho
da lua que na água refletia

ele lhe falava de igualdade
de como o mundo seria
melhor se
pautado na dignidade

ela lhe falava de músicas
poesias que lhe tocavam 
o coração

ele dos lugares que 
precisou ir
do fusca velho que
lhe fez companhia na adolescência

ela olhou para ele
e pela primeira vez
viu sua essência
escondida em um máscara de
seriedade

e então
começaram a se ver

enxergaram-se
verdadeiramente



e assim, 
olhando-se de frente
um mundo novo
para eles
começou...
(D)

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