sexta-feira, 16 de setembro de 2011

há uma parte de mim...
que não consigo entender...

por vezes me desafio...
chego quase a enlouquecer...

sou feita de uma matéria
macia...
possuo o dom de acalentar...
eu amo e amo muito
mas
...se desacredito...eu sofro...grito...choro
e num instante
faço o velório...porque
algo morreu

de outro lado sou como uma concha
que se nega a ouvir o canto do mar...

sou dura e tenho limites
de ferro e fogo
só não mordo
porque me falta a ocasião

por vezes sou toda razão
noutras...chego às raias da demência
não me fales em clemência!

há um tribunal de exceção
que habita em mim
e quase sempre sou ré principal...

se condeno
ou absolvo

se me entrego
ou decido partir




ah...
não questiones...
pois quando vou embora
a metade de mim que ainda
chora...
é trancada em um porão...

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