sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ministra Ellen Gracie... “não estamos legislando para pessoas distantes e desconhecidas, estamos alargando as oportunidades de felicidade para nossos vizinhos, nossos colegas de trabalho, nossos amigos e nossa família”. Asseverou ainda que “uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes”.

Manifestação da ministra do STF  Ellen Gracie, ao justificar seu voto favorável à união Homoafetiva no Brasil, o sétimo voto... por decisão unânime a corte suprema reconhece aos homossexuais o direito de constituir família, o direito de serem formalmente um casal, como tantos a andar de mãos dadas nas estradas da vida...revolucionária decisão.

O  "anjo"  guardião da Constituição,  encheu de orgulho nossos corações ao dar a pessoas comuns,  com singularidades individuais,  o manto da legalidade, a tranqüilidade de envelhecer....sim...  o direito de morrer e deixar o companheiro de sua vida em segurança...e muito mais...o direito de planejar a vida com a pessoa escolhida por seu coração...são quantos brasileiro...nem sei...e o que importa a orientação sexual de cada um... o amor não decide o gênero e não demarca território...

O STF legislou, utilizou-se de uma competência atípica lhe que foi concedida..."legislar"...sua função originária é a guarda da Constituição, resguardar a Carta Fundamental... e corajosamente assumiu para si a responsabilidade que é do Congresso Nacional, então, eu deixo de ser profissional do direito e embalada por essa decisão humana, me sinto de novo menina..imagino-os lá, pensando nos problemas do país e  estudando maneiras de diminuir as discrepâncias existentes, velando pelos interesses do país, como os heróis das histórias infantis... a própria liga da justiça, reunida para combater o mal, que nesta situação específica possui o nome de "preconceito"...sei que muitos brasileiros se sentiram assim...

Não, não estou advogando em causa própria, mas sinto orgulho em ver decisões como esta sendo tomadas e saber que,o que para mim era somente debate em fim de tarde, teses distantes defendidas em uma mesa de bar, para muitos era um dilema de vida e agora é a realidade...poderão enfim, constituir legalmente família, poderão formalizar os laços já firmados pelo amor...muitos injustiçados da história em determinado momento já se sentiram assim...

Talvez os escravos tenham sentido essa doce alegria ao serem alforriados...com  certeza, os filhos nascidos dos amores clandestinos conhecem essa emoção, pois que, também saíram das sombras da ilegalidade...ou então, as mulheres que conquistaram a igualdade legal...

E como profissional...de repente, me vejo novamente ouvindo a Constituição Federal (sim, eu a tenho em áudio), que ao tratar dos direitos fundamentais afirma que todos são iguais perante a lei e que a família é a base da sociedade, me pergunto, como pode o país por tanto tempo ter negado a muitos o direito de se firmar socialmente e constituir o pilar de qualquer existência...fico então aliviada por saber que um dilema até de ordem moral finalmente foi sanado...a decisão possui efeito vinculante, ou seja, nenhum tribunal que pertença a este país poderá negar a existência de amor entre pessoas do mesmo sexo...e este sim, o amor, é requisito fundamental para a existência da família...mas isso foge à ceara do direito...

Ainda há tantos entraves legais, sociais e morais a serem vencidos.... tantos desafios...uma  pluralidade de desigualdades ainda sobrevivem...alguns dizem ser este o país das desigualdades...ah...eu sei...o país das injustiças...eu já vi de perto, já sofri com os erros da máquina judiciária...mas hoje, a nação dorme com a emoção de ver a Corte Suprema deixando de lado os preconceitos individuais e servindo ao país...e nos embalam com a expectativa de que ainda há esperança para tantos outros dilemas enfrentados... então...durmam bem, integrantes da liga da justiça...durmam, que ao amanhecer, outros desafios se farão presentes...





os olhos desconhecidos
se encontraram
e foram presos
por aquela magia
que ninguém consegue
explicar

eles sorriam
e as palavras eram
vagas
para o que queriam
falar

ah...
a expectativa
pelo que acabara de começar
a ansiedade
do primeiro
tocar de mãos
leve
...tímido...

ela não sabia
direito como deveria
agir
ele não a conhecia
afinal
o que os faria seguir

se despediram
só com a troca
de olhares

e tanta coisa ficou
no ar

no dia seguinte
ela ansiava um toque
e cada chamada
era um estrondo
em seu coração

a ansiedade do encontro
que nem ficou marcado
e a lembrança
de um abraço
mais apertado
e só...

era o início
com todo seu encantamento
e insegurança
ela voltara a ser criança
e de novo
se via a divagar

e ele
que não sabia
se podia ligar
depois confessara
ter ensaiado
as palavras
que à ela pareciam
casuais

era tudo tão 
simples
e tão despido
de interrogatório

eram só sorrisos
só a ansiedade
de mostrar-se
atraente

olhavam-se
de frente
não havia nada
nenhuma lembrança
triste
nenhum passado a lhes
separar
nenhum obstáculo 
presente

olhavam-se somente
...e puseram-se a sonhar....

quinta-feira, 5 de maio de 2011

você a todo instante
volta ao meu pensamento
frases
momentos
de nossa história

e eu me surpreendo 
por ter tão simplesmente
esquecido
as juras
 tudo o que
a gente prometeu...

como foi que aconteceu
eu sonhei viver
a vida inteira contigo

eu queria não ter conhecido
nenhum outro tipo
de emoção

talvez assim
nosso amor de contos
de fadas
tivesse sobrevivido

...eu não sei...

hoje me parece
impossível
retornar...

mas e se o passado
se fizer de novo presente
e entre a gente
os sonhos
voltarem então
a pulsar

eu nem sei o que falar

as palavras sempre
cobram
seu significado
sempre exalam
o que se quis dizer

...voltar para você...

mas
eu  já não sou aquela
que segurou tua mão
te falou de carinho
e interpretou canções

...não...

eu agora
vivo um outro mundo
 que você não
iria entender

sentimentos confusos
uma existência inteira
nos separa

quando eu parti
conheci um mundo
que até
então não sabia 
existir

não pense 
que é fácil

o tempo inteiro
penso em seu sorriso
 aconchego que você
 sempre me deu 
em seu abraço
a me acalentar

...ah...

como pode alguém
gostar assim
e
me pergunto
se eu mereço
tanto apreço

eu não queria
te magoar
não queria que
estivesse estampado
em mim
a marca de um outro 
alguém

olho para você
e de novo 
me vem a memória
todas as fases
de nossa história

e
...eu tenho medo...

meu mundo é distante
e fico em dúvida
do que fazer
se me atiro 
de vez no abismo
ou volto para
casa
e tento
recomeçar

já não sei nem
expressar
eu não quero 
abrir feridas cicatrizadas
minha estrada é
maior do que você...

mas se olho para
trás
eu começo enfim
a te olhar

surge então uma dúvida em
meu coração
será que é possível
o regresso...

será que ainda
existe em mim
retalhos de uma fantasia
sonhos
alegrias
que eu já nem lembrava
sentir...
....

terça-feira, 3 de maio de 2011

...quem eu sou...
não me pergunte
eu não sei responder

sou tantas
que às vezes me 
esqueço

já me disseram que
tenho muitas
faces

será que não viu...
são disfarces
máscaras que uso
para me proteger

eu sou ainda menina
e busco desesperadamente
uma forma qualquer
de crescer

eu brinco de bonecas
e escrevo
minha vida em um diário

ainda sou inocente
mas trabalho
com as mazelas 
do mundo

sou mil
e num segundo
me perco até de mim

e levo tempos
para me reencontrar

se eu fosse uma árvore
seria um ipê
por vezes florido
noutras somente os galhos
nus
lhe cobrindo 
a face

se fosse uma flor
seria 
lótus
que do lodo nasceu
e no entanto
exala delicado 
perfume

eu seria uma ostra
trabalhando com esmero
para sarar a dor

eu seria um lago
profundo e calmo
se assim pudesse

mas ainda me revolto
e me distraio
do que procuro ser

eu sou bicho acuado
mas viro fera raivosa
para proteger meus amores

sou cheia de pudores
mas ando despida
mostrando minha face

eu uso disfarces sim
e me orgulho
em ser difícil de decifrar

mas,
se me olhar com 
cuidado
verá 
em meu olhar
espelhado
toda a essência do 
meu ser

...enfim...
eu seria 
eu seria quem sou
se pudesse de novo escolher
com todos os problemas
a serem trabalhados

apenas teria
pedido à Deus
um pouco mais de paciência
eu às vezes me visto de ausências
e só assim
me vejo de novo em mim...
onde estará você agora...
o mundo lá fora
me amedronta

eu sei
que já não sou mais
aquela menininha 
sua mãezinha
que você
tão amorosamente ninou

mas
eu ainda preciso tanto
do teu abrigo
do teu colo 
que sempre me 
escondeu dos males
da vida

eu ainda espero
a despedida
e me pergunto
se é justo
assim tão de repente
 um pedaço
da gente
 simplesmente partir

eu queria tanto
ouvir tua risada gostosa
tua forma manhosa
de me acalentar

o sorriso da alma
que com toda calma
tinha o poder de me
acalmar
e adormecer os vulcões
que ainda habitam em mim

eu queria tanto
teu colo
só mais uma vez

queria te contar
que eu conheço a dor
de perder
a resignação de quem
decide esquecer
um grande amor

eu sei que você
vive em outro lugar
mas hoje
eu queria romper a
barreira da vida
e só desta vez
te abraçar

ah...eu queria te contar
quão complicado 
é sentir um pedaço
de si
pulsando em outro lugar

queria ver 
o calor transbordando
do teu olhar
queria mesmo
poder te alcançar
e te segurar
ainda que por um segundo
junto à mim

esse amor doce
que você reservou
só para quem muito amou

essa essência suave
que quase ninguém percebeu

o olhar de chumbo
mais carinhoso do mundo
que por vezes somente
me fitava
em silêncio me aceitava
e me pedia para ficar
sempre perto


onde você está
se puder vir
me avise quando chegar
eu já não sou mais
como você
conheceu
e pode ser
que nao consiga
me reconhecer

eu por vezes
esqueço quem sou...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

quisera eu te amar
com a pureza que
escapa dos olhos teus
e com a certeza
que ainda seria
possível recomeçar

quisera eu
não ter percorrido
caminhos desconhecidos
que me roubaram
do nosso mundo
dilacerando meu
coração

eu já vivi
 
banho de chuva
madrugada na praça
sorriso sem graça
disputa infantil


quisera eu então
nunca ter conhecido
a loucura
de um amor proibido
que me levou
à exaustão

meu coração hoje
anda por terras
onde nem sei
procurando uma forma
qualquer de me 
reencontrar

quando eu parti
deixei pedaços meus
que ainda vejo
você relembrar

não chore
não me espere voltar

eu já não existo como 
você conheceu

e o eu de agora
não iria te apaixonar

meu sorriso 
hoje é triste
trago no peito a dor
de um amor
não confessado

meus olhos refletem o 
passado
e ainda vivo
somente dessas lembranças

não me fale mais de 
esperança
não diga que ainda acredita
naquela história bonita
que se perdeu

nem tenha medo de ir embora
o mundo lá fora
reserva alegrias
que eu nunca pude
te dar

mas,
se um dia puder voltar
e ser de novo
 meu melhor amigo
vem...
não demora

...eu ainda preciso...


quinta-feira, 28 de abril de 2011

faz de conta
que ela
não estava triste
e
que seu sorriso aberto
não era mera
formalidade

faz de conta
que em seu peito
não ardia
a mais triste
lembrança
de uma tarde

era somente uma
tarde de um
dia qualquer da semana

nada demais
ela só perdeu a ilusão
só chorou
o seu amor
despedaçado

faz de conta
que nada foi
dito
que não houveram
gritos
silenciados
pela ocasião

é...
faz de conta
que ela ainda acreditava
ainda sonhava


que ela não
ouvira
o som sarcástico de um
sorriso
a debochar da sua emoção
que ela ainda sentia
o pulsar do coração
intacto

faz de conta
porque é mais fácil
acreditar que 
tudo fora perfeito
que ainda havia em seu
peito 
uma lembrança pura
de amor

faz de conta
porque a fantasia
é mais amena
que a verdade
que não havia vaidade
só sentimento

faz de conta
que ela não lamentava
que não havia
em sua estrada
pedaços
destroçados de si...

terça-feira, 26 de abril de 2011

eu disse adeus...
você tampouco retrucou
era o fim
mas em mim
não sei se acabou...

eu prometi não mais te procurar
você calou
não me pediu para ficar
mas eu me perdi
na estrada
e rodando
em círculos
não sei mais nada
não sei o que esperar

eu gritei minhas verdades
te contei como dói a solidão
você,
sempre tão confuso
não entendeu a razão

e deixa em mim
a decisão
como se ficar
tivesse o mesmo significado
de nunca mais

dá de ombros
e eu sinto a indiferença
em cada gesto teu
em mim 
sinto
que algo entre a gente
...morreu...


domingo, 17 de abril de 2011

olho para você dormindo
mas
o você que eu tanto
amei
partiu

o você a quem
dediquei um amor
de adoração

a quem entreguei 
verdadeiramente meu coração

se perdeu
na imensidão
do tempo

e tua face
antes tão querida
só me mostra
 o quanto é surpreendente
a vida

o quanto o amor
é efêmero e precisa
do alimento certo
para sobreviver

quando foi que tudo se perdeu...
eu não sei

talvez,
em meio às lágrimas de 
incompreensão
nos momentos de solidão
conjunta

eu não sei...

quem sabe
nos instantes em que
eu precisei do teu 
abrigo

e em meio ao meu conflitos
percebi que
teu afeto
sempre foi
uma prisão

que 
teu carinho era sempre
um tipo de coação
a me ferir

não
não mais
tens o poder de
me levar para o inferno

e olhando para você
quase nem consigo lembrar
tua feição
tal é a distorção
com que te vejo

não
tua voz já não me causa
aquela alegria de outrora
quando um simples sorriso
era um grande alívio
para mim

e então me pergunto
como um grande amor
pode simplesmente 
morrer por inanição

pode perecer na triste
confusão
do desencontro

...adeus...