terça-feira, 20 de setembro de 2011

...e hoje Deus sorriu...
o caminho foi dolorido
quantas noites teria sofrido
àquela filho seu...

vezes sem fim
tentou chegar mais perto
tocar-lhe a face..

hoje eu vi Deus chorar!
tão comovido estava
...seu filho voltava para casa...
e aceitava ser abraçado...
haveria maior legado
que vê-lo retornar...

subindo as escadas
com a esperança de um menino
serviu cafezinho
sentindo-se rei...
...só por um dia...

ganhou um chaveiro vermelho...
compartilhado com rostos
plenos de amor...
era mais uma das chaves...
mais uma etapa da cura
 ...para sua dor...

o semblante leve
de quem só por hoje,
 venceu a maldade
no rosto um sorriso 
olhar que conhecia um segredo...

afinal...ele vencera o medo
dizendo somente ...seu nome...
...e quantos dias estava na estrada...
o mais...
 entregara ao Deus pai

que envolto da mais pura energia do amor
no colo, 
carregou
seu filho querido...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

há uma parte de mim...
que não consigo entender...

por vezes me desafio...
chego quase a enlouquecer...

sou feita de uma matéria
macia...
possuo o dom de acalentar...
eu amo e amo muito
mas
...se desacredito...eu sofro...grito...choro
e num instante
faço o velório...porque
algo morreu

de outro lado sou como uma concha
que se nega a ouvir o canto do mar...

sou dura e tenho limites
de ferro e fogo
só não mordo
porque me falta a ocasião

por vezes sou toda razão
noutras...chego às raias da demência
não me fales em clemência!

há um tribunal de exceção
que habita em mim
e quase sempre sou ré principal...

se condeno
ou absolvo

se me entrego
ou decido partir




ah...
não questiones...
pois quando vou embora
a metade de mim que ainda
chora...
é trancada em um porão...

“Escarlate!”

Faz amor com a minha mente!
Conta tuas impurezas
Sem vergonha
Diz do que em ti é fogo e paixão
Não tem medo
Desvirtua  a razão
...
Dá-me de ti o que ninguém teve!
O gemido mais sentido
O toque lívido, urgente
Teu lado secreto e demente
Entrega ao que somos!
Mostra quem tu és
e não me diz teu nome
...
               Enlouqueça-me!
      Tira a roupa  da boneca de pano
        Faz do amor o maior pecado
                  Vira do avesso
           O que fica na estante
           (des)mancha o semblante
                           ...
           Faz um pacto de sangue!
           Teu suor pinga em mim
        Respinga em tinta de caneta
     Muda a cor branca desta página
           Deixa tudo em pecado
                  Vida e morte
                 Em escarlate!...#
autora: Jaci Rocha                                                                                                       

·         * Enquanto revia  “Último tango em paris” , a poesia fluiu..

LLINDO! MINHA IRMÃ TEM UMA SENSIBILIDADE INIGUALÁVEL...MEIO ADULTO DEMAIS PARA MEU BEBÊ, MAS ENFIM...FALOU DE PAIXÃO...DE MISTURA DOS SENTIDOS DE MANEIRA MUITO DELICADA E AO MESMO TEMPO FORTE...MERECEU UMA RÉPLICA AQUI NO MEU BLOG... POSTADO ORIGINALMENTE POR www.aluanãodorme.blogspot.com (AUTORA Jaci Rocha) ti amu :)

a lua chorou...ninguém viu
em mil pedaços seu coração se quebrou
... partiu...
e os estilhaços cristalizados...
passaram a enfeitar a
escuridão...

o manto denso da noite
ganhou mil brilhantes então...






diz uma lenda...
que a chuva é uma dama sensível...
passa o tempo
ouvindo histórias de amor

e suas lágrimas são
alimentos para natureza
..e da sua tristeza ...nasce a flor...

um dia ouvi dizer
que o vento é um rapaz
enfurecido
decepcionado por ter perdido
um amor que não soube cuidar

então vive
se lamentando
e o som da brisa falando
é um canto
um mantra de      nostalgias...

uma música me disse
que o mar é cheio de sandices
e apaixonou-se por uma mortal...
então lhe trazia presentes
esperançoso em lhe conquistar
mas,
a menina vivia na margem
tinha medo de se afogar...

e
mesmo com o coração tão sofrido...
a Lua era um poço de poesia

a chuva com suas lágrimas
a renovação da vida garantia

o vento com sua dor
cantava a mensagem do amor

e até o mar exagerado
com muito cuidado
...à menina encantou... 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011


no lodo,
nasceu uma linda flor
era feita do amor...era um símbolo
da junção dos quatro elementos 
da existência...
     
da terra...ganhou raízes que lhe prenderiam
até que pudesse emergir
da água...recebeu alimento...
do sol...o incremento final...

era imaculada e de uma beleza
sem igual... era o símbolo
do amor ideal...
...e morava no pântano...


encantada com a rara mistura de
beleza e inocência 
a mãe natureza
com sua coerência habitual
passou a limpar suas pétalas
e lhe manter na temperatura correta

a brisa tão comovida
espalhou no ar
o perfume que a flor produzia
pena que quase ninguém via
e alguns até duvidavam
da sua existência...

triste com tanta descrença
a flor se retraiu...
para o fundo do lago partiu
em busca de proteção...

Deus,
Enternecido com sua tristeza
deu-lhe  permissão especial...

todas as noites ela
dorme submersa na lama
onde se esconde da maldade do mundo
e quando o dia nasce
ela deixa o disfarce
e emerge de volta à vida
...




a flor de lótus nasce no lodo, é sinônimo de pureza e espiritualidade, diz uma lenda que a terra, o ar, a água e o vento, "os quatro elementos irmãos", decidiram construir algo que mostrasse ao homem a essência perfeita do amor, então nasceu a flor  de lótus...o símbolo do amor que só conseguiu florescer na lama, como um recado do universo  de que o amor é puro e mantém sua essência ainda que vindo do lodo. A flor de lótus é um mistério para a ciência, porque mesmo no lodo nunca se suja ou fica empoeirada...ela própria se limpa, também é a única planta da natureza que tem a temperatura do ser humano, mais ou menos 35 graus. Todas as noites ela submerge para o fundo do lodo e retorna ao amanhecer... e assim é o amor...puro...essencial e imaculado, apesar do ser humano.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

...a noite avança e o sono não vem...
minha mente viaja
para milhas de nenhum lugar
perdida em um sorriso
...
em um olhar...

meu peito aperta reclamando
o silêncio do telefone
desafiando 
uma mensagem esperada
uma visita que hoje
não veio

e eu fico aqui sem querer
ser a primeira a dizer
sem deixar que o sentimento
possa falar o que necessita ser dito

 fico  divagando a resposta certa
para uma pergunta solta no ar...
feito bolha de sabão
altiva e colorida
tão frágil e destemida
voando ao sabor da 
primeira briga...



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

...não me olhe como se eu fosse santa...
eu sou feita de uma essência peculiar
meio menina ...meio leoa
não tente me interpretar...


...não teste o limite da minha emoção...
eu venho de longe
e estou sempre
querendo voltar para casa...


eu pinto a face e me visto
para guerrear
sou meio selvagem...
mas a selva daqui
pode me assustar...


sou predadora...
e sou guerreira em
meu habitat


mas aqui
me sinto em uma prisão
viro vítima da paisagem 
quase bicho em extinção...



terça-feira, 6 de setembro de 2011

...se eu levantar o véu...
não serei mais essa que te encanta

serei como a paisagem que te entedia
mais um pedaço ...
somente algumas horas do teu dia

não me pergunte nada
o passado  já não existe 
dentro de um  plano real
então me veja...
eu sou tão somente 
essa que te olha
de frente

viva comigo o agora
as flores começam a desabrochar
lá fora
e aqui dentro...também...

não queira ir além
não apresse as estações
cada etapa da vida
tem uma história contida
um segredo não revelado

e cada instante ao seu lado
tem uma essência que eu
nunca mais pensei que teria

dentro de mim...
medo...ousadia se misturam
fazendo confusão

uma voz que me diz...ainda não
mas
há uma outra que me manda
tentar...

se eu tirar meu véu
tenho medo do que possas pensar

eu sou comum...feita de matéria e
emoção
por vezes sou toda razão
noutras,
... bicho incontido ...





segunda-feira, 5 de setembro de 2011

você chegou tão devagar...
tão mansamente...
instalou-se em minha mente
de maneira tão casual...

já acostumada eu estava
a ouvir suas piadas sem graça

me entediar com
seu sarcasmo intelectual
zombando do nosso direito

seu jeito barulhento
meio desengonçado

o apelido "engraçado" 
que me envergonhou

quando foi que meus pensamentos
desvirtuaram para um outro lugar
e tua imagem já não mais era
associada às páginas que eu lia

quando teve a ousadia
de me roubar da escuridão...

quanto tempo ficou distante
ironizando gratuitamente
tudo o que ouvia de mim

chamando minha atenção 
por meio de ironias
de respostas vazias
para perguntas não 
formuladas

quando passou 
tão de repente
a integrar meu dia
nas horas de companhia
calada

nos breves segundos 
de intimidade acidental...

foi banal...
um encontro que não foi 
combinado
um aperto de mão demorado
àquele livro autografado
...eu ainda não li o final...



sábado, 3 de setembro de 2011

...
enquanto eu me recomeço...
em cada gesto
em casa silêncio contido

em cada capítulo de um livro
que eu releio
sem me lembrar da leitura
passada

se eu fosse um auto-retrato
de mim
poderia escolher meu passado
e guardar no armário
o que já não serviria...

vestiria um novo vestido
deixaria de lado os antigos
e retornaria até mim...

mas, minha essência é costurada
em meu corpo
e eu sempre me vesti de poesias

aqui o sol brilha...
mas embota as cores que vêem...
se me recomeço
em prosa..sem verso...
fico sem graça também...