"... é preciso chuva para florir..." (Almir Sater)
A gente sempre tem medo dos momentos de solidão, daqueles momentos em que a alma se cansa de tudo e precisa de silêncio...precisa de casulo para se reconstruir....
É bem mais fácil ocultar até da gente mesmo os sentimentos do que olhar de frente o que nos amedronta e aceitar...é necessário aceitar...
que às vezes, a gente também dá adeus à quem ama, mesmo com o coração doendo, com os olhos embaçados...mas é preciso aceitar...que ama...que não dá certo...que não é o que a gente queria...somente assim existe a real possibilidade de continuar seguindo em frente...
quando a gente se olha de frente e aceita a imperfeição...aquela característica que tanto incomoda...aquele sonho que é somente isso...um sonho...
que é necessário desprender-se dos laços, correr das amarras da alma...tão difícil...
que às vezes é necessário renunciar...tão doído renunciar a algo que pulsa dentro da gente, como fogo, como um grito que impossibilita ouvir outras vozes...
as correntes da alma podem aprisionar uma vida...se a gente deixar...
mas como saber...
como entender o que aprisiona o que sufoca e o que liberta...eu não sei...
é preciso chuva para florir!!!!
...como se as lágrimas regassem a primavera da vida e trouxessem o doce doce aroma das flores para dentro do coração...
...como se o choro fosse a chave das grades que me prendem nessa prisão (dentro de mim)...
...porque a pior prisão do mundo é o sentimento...quando a alma se torna escrava de uma coisa qualquer...
... quando os sonhos de uma vida inteira de repente se tornam obscuros e sem sentido, pelo simples fato de não se encaixarem nas vontades dominadoras de um querer...
eu não sei...tá tendo uma tempestade dentro de mim...e ainda que eu tente me proteger...os respingos me ferem e então tenho vontade de me molhar... mas eu sei que é preciso continuar...e esperar que o dia novamente floresça...paciência...
...porque toda tempestade é passageira e as construções que eu já edifiquei são mais fortes do que eu pensei...me protegem até de mim e me permitem aos poucos seguir...e esperar novamente a primavera...mesmo que o inverno esteja forte...e o frio alcance meu coração...hoje! mais uma vez...eu digo NÃO...e permito que a chuva passe...que lave meu coração...despenteie minha alma...e momentaneamente...me torne insana...doente de qualquer vontade...
...ainda assim...tenho coragem de prosseguir...
...eu, que já fui filha do vento...amiga das tempestades...eu que já andei à vontade no caos...
...hoje, só quero a paz silenciosa do alvorecer...hoje...só quero esquecer...e novamente recomeçar...alguém já disse, eu sei...todo fim é um recomeço...e é tão bonito ter de novo a chance de escolher...de amar...de conhecer...de deixar partir...quando já não há espaço para ficar..então vá...porque já é tarde e minha passagem está no fim...eu quase fiquei...mas sou viajante...e meu porto é mais ali...livre de tudo, sigo dançando na vida...porque eu vim aprender...desmanchar nós e viver...
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