...ela arrumara
tudo com cuidado
cada canto
tinha um significado
só seu
cada espaço em seu peito
tinha lugar certo
ela tinha tudo
bem planejado
sabia cada passo que
deveria dar
por anos
ajeitou cada pedacinho
do seu coração
preencheu cada pequeno
detalhe
cercou-se
de suas verdades
mas
um dia
veio a ventania
e derrubou tudo
sem nada dizer
veio sem avisar
sem perguntar
que efeito teria
desalinhou o que pôde
e nem ao menos
tentou justificar
ela não compreendia
achava que a vida
seria sempre
do jeito que ela
planejou
mas
a tempestade
zombou de suas tão
bem alinhadas
certezas
sorriu de suas
vãs tentativas
de resistência
faltava-lhe coerência
argumentou
disse-lhe apenas
que deveria
estar preparada
para viver
ela não sabia
não compreendia
a vida da maneira
que se lhe apresentava
ela sempre cuidara
de tudo
e agora
já não lembrava mais
o lugar
onde as coisas
deveriam estar
suas estruturas
foram tão abaladas
ela tinha que começar
tudo de novo
um dia lhe disseram
que recomeço
parte de um ponto
conhecido
e
começar
era abraçar o infinito...
ela achou bonito
mas muito difícil de
entender
sentia-se a única pessoa
no mundo
incompreendida
em seu sentimento
ela viu-se perdida
em meio ao caos
que passara a ser seu
coração
olhava para o céu
e perguntava para o criador
o que fazer
porque já nem mais
sabia quem era
...
ela já fora
pedaço de primavera
mas àquela que um dia se
chamara flor
perdeu-se na madrugada
vestiu-se de nada
e do nada
...se reinventou...

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