ela se olhava no espelho
e via-se bela
a face harmoniosa
os olhos claros
contrastando
com a negritude
dos cabelos longos
via-se externamente
serena
apenas
os olhos refletiam
a dor pungente
que lhe acometia a
alma
ela se perguntava
como poderia
mostra-se tão
plena...
...etérea até...
se o seu peito
sangrava
e implorava
para que o tempo
voltasse atrás
era uma guerra
silenciosa
que lhe turvava
a visão
era seu coração
lutando com as
imagens de uma
vida inteira
ela respirava
aliviada
um duelo
chegara ao fim
ela chorava despedaçada
o amor perdera
tão cansado estava
ela
que
apesar de ter
deixado o amor partir
também pôde
enfim descansar
ela não sabia amar
e lhe doía
o desafio de
de finalmente crescer
alguém lhe
tirara das mãos
a tão difícil decisão
de se modificar
ela nunca soubera
domar
a menina
que lhe habitava
jamais conseguira
conter
os acessos de infantilidade
a insegurança
ingênua
a insensatez
que lhe beirava
à maldade
ela não sabia lidar
com a proximidade
não sabia
vencer a ansiedade
e simplesmente
viver
não
ela não queria crescer
mas precisava
encarar o mundo
ela que sempre tivera
pavor do amor
e vivera brincando
de se apaixonar
via-se agora perdida
não sabia
mais nem falar
estática
apenas presenciava
o quanto seu coração lutava
...para se encontrar...
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