quinta-feira, 23 de junho de 2011

ela se olhava no espelho
e via-se bela
a face harmoniosa
os olhos claros
contrastando
com a negritude
dos cabelos longos

via-se externamente
serena
apenas
os olhos refletiam
a dor pungente
que lhe acometia a
alma

ela se perguntava
como poderia
mostra-se tão
plena...
...etérea até...

se o seu peito
sangrava
e implorava
para que o tempo
voltasse atrás

era uma guerra
silenciosa
que lhe turvava
a visão

era seu coração
lutando com as
imagens de uma
vida inteira

ela respirava
aliviada
um duelo
chegara ao fim

ela chorava despedaçada
o amor perdera
tão cansado estava

ela
que
apesar de ter
deixado o amor partir
também pôde
enfim descansar

ela não sabia amar
e lhe doía
o desafio de
de finalmente crescer

alguém lhe
tirara das mãos
a tão difícil decisão
de se modificar

ela nunca soubera
domar
a menina
que lhe habitava

jamais conseguira
conter
os acessos de infantilidade
a insegurança
ingênua

a insensatez
que lhe beirava
à maldade

ela não sabia lidar
 com a proximidade
não sabia
vencer a ansiedade
e simplesmente
viver

não
ela não queria crescer

mas precisava
encarar o mundo

ela que sempre tivera
pavor do amor
e vivera brincando
de se apaixonar

via-se agora perdida
não sabia
mais nem falar

estática
apenas presenciava
o quanto seu coração lutava
...para se encontrar...

Nenhum comentário: