quinta-feira, 5 de maio de 2011

você a todo instante
volta ao meu pensamento
frases
momentos
de nossa história

e eu me surpreendo 
por ter tão simplesmente
esquecido
as juras
 tudo o que
a gente prometeu...

como foi que aconteceu
eu sonhei viver
a vida inteira contigo

eu queria não ter conhecido
nenhum outro tipo
de emoção

talvez assim
nosso amor de contos
de fadas
tivesse sobrevivido

...eu não sei...

hoje me parece
impossível
retornar...

mas e se o passado
se fizer de novo presente
e entre a gente
os sonhos
voltarem então
a pulsar

eu nem sei o que falar

as palavras sempre
cobram
seu significado
sempre exalam
o que se quis dizer

...voltar para você...

mas
eu  já não sou aquela
que segurou tua mão
te falou de carinho
e interpretou canções

...não...

eu agora
vivo um outro mundo
 que você não
iria entender

sentimentos confusos
uma existência inteira
nos separa

quando eu parti
conheci um mundo
que até
então não sabia 
existir

não pense 
que é fácil

o tempo inteiro
penso em seu sorriso
 aconchego que você
 sempre me deu 
em seu abraço
a me acalentar

...ah...

como pode alguém
gostar assim
e
me pergunto
se eu mereço
tanto apreço

eu não queria
te magoar
não queria que
estivesse estampado
em mim
a marca de um outro 
alguém

olho para você
e de novo 
me vem a memória
todas as fases
de nossa história

e
...eu tenho medo...

meu mundo é distante
e fico em dúvida
do que fazer
se me atiro 
de vez no abismo
ou volto para
casa
e tento
recomeçar

já não sei nem
expressar
eu não quero 
abrir feridas cicatrizadas
minha estrada é
maior do que você...

mas se olho para
trás
eu começo enfim
a te olhar

surge então uma dúvida em
meu coração
será que é possível
o regresso...

será que ainda
existe em mim
retalhos de uma fantasia
sonhos
alegrias
que eu já nem lembrava
sentir...
....

terça-feira, 3 de maio de 2011

...quem eu sou...
não me pergunte
eu não sei responder

sou tantas
que às vezes me 
esqueço

já me disseram que
tenho muitas
faces

será que não viu...
são disfarces
máscaras que uso
para me proteger

eu sou ainda menina
e busco desesperadamente
uma forma qualquer
de crescer

eu brinco de bonecas
e escrevo
minha vida em um diário

ainda sou inocente
mas trabalho
com as mazelas 
do mundo

sou mil
e num segundo
me perco até de mim

e levo tempos
para me reencontrar

se eu fosse uma árvore
seria um ipê
por vezes florido
noutras somente os galhos
nus
lhe cobrindo 
a face

se fosse uma flor
seria 
lótus
que do lodo nasceu
e no entanto
exala delicado 
perfume

eu seria uma ostra
trabalhando com esmero
para sarar a dor

eu seria um lago
profundo e calmo
se assim pudesse

mas ainda me revolto
e me distraio
do que procuro ser

eu sou bicho acuado
mas viro fera raivosa
para proteger meus amores

sou cheia de pudores
mas ando despida
mostrando minha face

eu uso disfarces sim
e me orgulho
em ser difícil de decifrar

mas,
se me olhar com 
cuidado
verá 
em meu olhar
espelhado
toda a essência do 
meu ser

...enfim...
eu seria 
eu seria quem sou
se pudesse de novo escolher
com todos os problemas
a serem trabalhados

apenas teria
pedido à Deus
um pouco mais de paciência
eu às vezes me visto de ausências
e só assim
me vejo de novo em mim...
onde estará você agora...
o mundo lá fora
me amedronta

eu sei
que já não sou mais
aquela menininha 
sua mãezinha
que você
tão amorosamente ninou

mas
eu ainda preciso tanto
do teu abrigo
do teu colo 
que sempre me 
escondeu dos males
da vida

eu ainda espero
a despedida
e me pergunto
se é justo
assim tão de repente
 um pedaço
da gente
 simplesmente partir

eu queria tanto
ouvir tua risada gostosa
tua forma manhosa
de me acalentar

o sorriso da alma
que com toda calma
tinha o poder de me
acalmar
e adormecer os vulcões
que ainda habitam em mim

eu queria tanto
teu colo
só mais uma vez

queria te contar
que eu conheço a dor
de perder
a resignação de quem
decide esquecer
um grande amor

eu sei que você
vive em outro lugar
mas hoje
eu queria romper a
barreira da vida
e só desta vez
te abraçar

ah...eu queria te contar
quão complicado 
é sentir um pedaço
de si
pulsando em outro lugar

queria ver 
o calor transbordando
do teu olhar
queria mesmo
poder te alcançar
e te segurar
ainda que por um segundo
junto à mim

esse amor doce
que você reservou
só para quem muito amou

essa essência suave
que quase ninguém percebeu

o olhar de chumbo
mais carinhoso do mundo
que por vezes somente
me fitava
em silêncio me aceitava
e me pedia para ficar
sempre perto


onde você está
se puder vir
me avise quando chegar
eu já não sou mais
como você
conheceu
e pode ser
que nao consiga
me reconhecer

eu por vezes
esqueço quem sou...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

quisera eu te amar
com a pureza que
escapa dos olhos teus
e com a certeza
que ainda seria
possível recomeçar

quisera eu
não ter percorrido
caminhos desconhecidos
que me roubaram
do nosso mundo
dilacerando meu
coração

eu já vivi
 
banho de chuva
madrugada na praça
sorriso sem graça
disputa infantil


quisera eu então
nunca ter conhecido
a loucura
de um amor proibido
que me levou
à exaustão

meu coração hoje
anda por terras
onde nem sei
procurando uma forma
qualquer de me 
reencontrar

quando eu parti
deixei pedaços meus
que ainda vejo
você relembrar

não chore
não me espere voltar

eu já não existo como 
você conheceu

e o eu de agora
não iria te apaixonar

meu sorriso 
hoje é triste
trago no peito a dor
de um amor
não confessado

meus olhos refletem o 
passado
e ainda vivo
somente dessas lembranças

não me fale mais de 
esperança
não diga que ainda acredita
naquela história bonita
que se perdeu

nem tenha medo de ir embora
o mundo lá fora
reserva alegrias
que eu nunca pude
te dar

mas,
se um dia puder voltar
e ser de novo
 meu melhor amigo
vem...
não demora

...eu ainda preciso...


quinta-feira, 28 de abril de 2011

faz de conta
que ela
não estava triste
e
que seu sorriso aberto
não era mera
formalidade

faz de conta
que em seu peito
não ardia
a mais triste
lembrança
de uma tarde

era somente uma
tarde de um
dia qualquer da semana

nada demais
ela só perdeu a ilusão
só chorou
o seu amor
despedaçado

faz de conta
que nada foi
dito
que não houveram
gritos
silenciados
pela ocasião

é...
faz de conta
que ela ainda acreditava
ainda sonhava


que ela não
ouvira
o som sarcástico de um
sorriso
a debochar da sua emoção
que ela ainda sentia
o pulsar do coração
intacto

faz de conta
porque é mais fácil
acreditar que 
tudo fora perfeito
que ainda havia em seu
peito 
uma lembrança pura
de amor

faz de conta
porque a fantasia
é mais amena
que a verdade
que não havia vaidade
só sentimento

faz de conta
que ela não lamentava
que não havia
em sua estrada
pedaços
destroçados de si...

terça-feira, 26 de abril de 2011

eu disse adeus...
você tampouco retrucou
era o fim
mas em mim
não sei se acabou...

eu prometi não mais te procurar
você calou
não me pediu para ficar
mas eu me perdi
na estrada
e rodando
em círculos
não sei mais nada
não sei o que esperar

eu gritei minhas verdades
te contei como dói a solidão
você,
sempre tão confuso
não entendeu a razão

e deixa em mim
a decisão
como se ficar
tivesse o mesmo significado
de nunca mais

dá de ombros
e eu sinto a indiferença
em cada gesto teu
em mim 
sinto
que algo entre a gente
...morreu...


domingo, 17 de abril de 2011

olho para você dormindo
mas
o você que eu tanto
amei
partiu

o você a quem
dediquei um amor
de adoração

a quem entreguei 
verdadeiramente meu coração

se perdeu
na imensidão
do tempo

e tua face
antes tão querida
só me mostra
 o quanto é surpreendente
a vida

o quanto o amor
é efêmero e precisa
do alimento certo
para sobreviver

quando foi que tudo se perdeu...
eu não sei

talvez,
em meio às lágrimas de 
incompreensão
nos momentos de solidão
conjunta

eu não sei...

quem sabe
nos instantes em que
eu precisei do teu 
abrigo

e em meio ao meu conflitos
percebi que
teu afeto
sempre foi
uma prisão

que 
teu carinho era sempre
um tipo de coação
a me ferir

não
não mais
tens o poder de
me levar para o inferno

e olhando para você
quase nem consigo lembrar
tua feição
tal é a distorção
com que te vejo

não
tua voz já não me causa
aquela alegria de outrora
quando um simples sorriso
era um grande alívio
para mim

e então me pergunto
como um grande amor
pode simplesmente 
morrer por inanição

pode perecer na triste
confusão
do desencontro

...adeus...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

...sai...
esquece a tristeza 
que sinto
esquece a alegria
que tanto persigo
esquece meu nome
...eu não ligo...

sai...
e leva contigo
todas as ilusões
destrói todos os
laços
pois, 
a cada
instante
ouço de volta
teus passos

sai...
mas não demonstra
felicidade
disfarça
ignora minha solidão
sai
enquanto minha
alma se despedaça...

(escrita há muitos anos atrás)
há culpa de alguém...
eu não sei...
se era previsível
esqueci de questionar...

mas,
foi sincero
sine-cera
como diriam os romanos
“puro
sem quaisquer
retoques”

límpido e sem
maldade
quem poderia julgar...
o amor não
pergunta
se há certo
ou errado

vem
muda conceitos
de uma vida inteira
dispõe vidas
enlouquece
quem o desafia

à luz do direito
poderia então
 arder em meu peito
um fogo tão
alto assim...

é justo imputar
sofrimento
devolver para mim
o resultado do
que eu escolhi...

eu não sei...

mas eu
vivo noites e dias
num tribunal íntimo
que perpetua meu julgamento

e antes mesmo
de ser condenada
já cumpro a pena
que me encarcerou
no passado

de onde relembro
cenas
de uma história
que só existiu
dentro de mim... 

terça-feira, 12 de abril de 2011

nunca mais
ninguém nunca mais
será assim 
tão dono de mim
a ponto
de machucar meu
coração

não,
nunca mais
alguém vai sorver
até o último
gole do meu amor

e não mais
me entregarei a ninguém
tão despida
de vaidade

tão entregue
nem percebi
quanto tudo em você
comandava
minha vida

quando a despedida
me fez
perder um
pedaço de mim
que só existiu
´por você

não...
nunca mais
alguém terá o 
domínio completo da
minha emoção

eu pergunto aos céus
se o que tenho vivido
é provação

mas só o silêncio
me responde

eu tenho raiva de mim
e me confronto
para expulsar
a imensa vontade
que eu tenho
de voltar

para desafiar
meus sentidos
e perguntar
se contigo
eu algum dia
fui eu 

porque meu reflexo
no espelho
me mostra
alguém que nunca vi

uma estranha
silenciosa
uma mulher
triste
chorosa
pela inocência
que perdeu

eu me revolto comigo
faço dessa raiva
abrigo
e viro guerreira
para me libertar

você verá