domingo, 14 de novembro de 2010

VOCÊ E SEU RETRATO (Cassiano Ricardo)

Por que tenho saudade de você, no retrato, ainda que o mais recente? E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente? Talvez porque o retrato, já sem o enfeite das palavras, tenha um ar de lembrança. talvez porque o retrato (exato, embora malicioso) revele algo de criança (como no fundo da água, um coral em repouso) Talvez pela idéia de ausência que o retrato faz surgir colocado entre nós dois (como um ramo de hortênsia) Talvez porque o seu retrato mais se parece com você do que você mesma (ingrato). Talvez porque, no retrato, você está imóvel (sem respiração...) Talvez porque todo retrato é uma retratação.

sábado, 13 de novembro de 2010

quem é você

que responde a tudo prontamente

me devolve a paz

que perdi

tão de repente

e me comove

com seu olhar

eu não sei se é hora

de você chegar...

ou se veio tarde.

quando já não há espaço

para que eu possa te amar...

quem é você

que chegou em meio à tempestade

riso manso

olhar que se demora

a partir

sempre tão presente...constante

eu não consigo aceitar

em mim...

tudo é distante

ainda vivo

de lembranças

secretas

e me perco

em um mundo de sensações incertas

eu não sei...

tudo é tão novo para mim

morei sempre em um casulo

sempre à espera de voar...

e agora você vem

e eu não te vejo ficar

porque o passado me prende

e me encanta com sensações

em você

tudo é tão diferente

tão certo

sem dúvidas

ou lamentações

você

que docemente

me abraça

com sua presença

me marca

e eu te vejo pouco a pouco

cansar...

você que já é despedida

mas na partida

sempre me espera

chegar..

não vá...

ou vá...

eu não sei..

se te libero

eu me desespero

com medo de que possas

partir

mas se ficas

um outro pedaço que em mim

habita

terá que ir...

eu não sei...

"Quando há medo de ir embora, é porque vale a pena ficar... Quando não temos medo da despedida, é por que já fomos embora com o corpo presente..."
(Vinicius Queiroz)
tenho medo de ir embora...
mas não sei se há onde ficar
eu sei que lá fora
algo novo me espera
recomeçar...
mas eu tenho medo de
simplesmente ir
e depois chorar a dor
de tudo que não vivi..
mas,
o que ainda há
que possa me prender
não sei...não sei...
não consigo entender!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

...enquanto eu existir...
minha alma que não sei quantas vidas já tem
levará como tesouro cada pedaço dos amores que alimentam
meu viver...
onde quer que eu vá...
sempre haverá em mim o perfume
que se resume em essência dos encontros
de almas irmãs...
sempre estará a lembrança do riso solto
do amor que se manifesta com um olhar simples
banal até...
mas que me encontrará em qualquer lugar
...onde eu estiver...
porque amores tão raros
nunca podem se separar para sempre
em mim...enquanto minha alma pulsar
eu vou lembrar!
dos presentes que Deus concedeu
...o mais belo...
viver essa vida toda ao lado seu...
( para Lua vermelha com todo meu amor)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

...coração na mão...
destino incerto...
sinto em mim...dois caminhos se abrindo
um que chega e outro que está partindo...
e eu...
que não sei onde quero estar...
se vai ... se fica
quantos labirintos minha alma habita...
eu não sei...
o desconhecido me excita...
mas me atormenta até quase à exaustão
o novo quase rouba meu coração...
e me surpreende sem que eu consiga
explicar...
dois caminhos opostos
ah..como eu queria
olhar de fora
e esquecer que
agora
tenho mesmo que decidir
ficar...partir
deixar que o novo me encontre
ou voltar para onde nunca queria ter saído
...não sei...
o velho pede de novo abrigo
mas o novo insiste em
me questionar
ah...
hoje ainda não consigo...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

...hoje meu coração palpita...

domingo, 7 de novembro de 2010

eu te quis de verdade,
mas a vaidade
minha...sua...nossa...
escreveu caminhos diversos
onde a gente não iria mais se
encontrar
eu já tive tanto para te falar
mas,
as palavras se perderam no tempo
e,
assim passou o momento
só restando enfim
a lembrança
eu,
que já tive tanta esperança
agora me sinto cansada
já andei tão longa estrada
mas,
sempre à margem do que eu sonhei
e eu tantas vezes chorei
em cada lágrima
um pedaço do “nós”
já desfeito
e agora,
vem em meu peito
só o vazio tão grande
que ficou
foi por “amor”
...eu sei...
mas,
em cada ferida aberta
um pedaço do nosso sonho
morria
a gente
chorava...sorria...
sem perceber que nossa
história
pouco a pouco...partia
e foram tantas despedidas
tristes...doloridas...
tantas coisas poderiam ter sido
evitadas
por “amor”
a gente ficou na estrada
e nem viu ao certo
quando afinal
tudo em nós...acabou...!!!
não me roube de mim... eu sou tudo que eu tenho você não sabe de onde eu venho... nem me pergunte porque... eu sou aquela que da tempestade nasceu tão frágil e medrosa mas ninguém percebeu... sou fruto da loucura e do medo eu surgi não me pergunte por mim eu estou sempre em construção ando por mundos de solidão tentando somente...entender... o que dói tanto e o que faz doer... quando eu escolhi sofrer... eu não sei... é sem querer mas, não me roube de mim... eu luto muito para me encontrar não me espere voltar... eu não conheço o caminho e me perdi nos espinhos de uma ilusão... eu que atraio raios e me apaixono sempre por quem já está indo... eu que nunca entendi o amor.. e vivo tentando encontrar... um jeito suave...de amar ainda vivo uma história sem fim e de algum lugar da eternidade precisei de muita coragem para voltar... não me roube de mim meu caminho é maior do que eu queria é solitário andar no imaginário mas desenterrar fantasmas é minha missão eu busco sempre o perdão mas nem sei mesmo porque apenas escolhi viver desmanchando nós que não sei se amarrei espalhando um perfume que nunca senti muitas vidas percorri e só agora me achei... te peço, enfim... não me roube de mim...
"... é preciso chuva para florir..." (Almir Sater)
A gente sempre tem medo dos momentos de solidão, daqueles momentos em que a alma se cansa de tudo e precisa de silêncio...precisa de casulo para se reconstruir....
É bem mais fácil ocultar até da gente mesmo os sentimentos do que olhar de frente o que nos amedronta e aceitar...é necessário aceitar...
que às vezes, a gente também dá adeus à quem ama, mesmo com o coração doendo, com os olhos embaçados...mas é preciso aceitar...que ama...que não dá certo...que não é o que a gente queria...somente assim existe a real possibilidade de continuar seguindo em frente...
quando a gente se olha de frente e aceita a imperfeição...aquela característica que tanto incomoda...aquele sonho que é somente isso...um sonho...
que é necessário desprender-se dos laços, correr das amarras da alma...tão difícil...
que às vezes é necessário renunciar...tão doído renunciar a algo que pulsa dentro da gente, como fogo, como um grito que impossibilita ouvir outras vozes...
as correntes da alma podem aprisionar uma vida...se a gente deixar...
mas como saber...
como entender o que aprisiona o que sufoca e o que liberta...eu não sei...
é preciso chuva para florir!!!!
...como se as lágrimas regassem a primavera da vida e trouxessem o doce doce aroma das flores para dentro do coração...
...como se o choro fosse a chave das grades que me prendem nessa prisão (dentro de mim)...
...porque a pior prisão do mundo é o sentimento...quando a alma se torna escrava de uma coisa qualquer...
... quando os sonhos de uma vida inteira de repente se tornam obscuros e sem sentido, pelo simples fato de não se encaixarem nas vontades dominadoras de um querer...
eu não sei...tá tendo uma tempestade dentro de mim...e ainda que eu tente me proteger...os respingos me ferem e então tenho vontade de me molhar... mas eu sei que é preciso continuar...e esperar que o dia novamente floresça...paciência...
...porque toda tempestade é passageira e as construções que eu já edifiquei são mais fortes do que eu pensei...me protegem até de mim e me permitem aos poucos seguir...e esperar novamente a primavera...mesmo que o inverno esteja forte...e o frio alcance meu coração...hoje! mais uma vez...eu digo NÃO...e permito que a chuva passe...que lave meu coração...despenteie minha alma...e momentaneamente...me torne insana...doente de qualquer vontade...
...ainda assim...tenho coragem de prosseguir...
...eu, que já fui filha do vento...amiga das tempestades...eu que já andei à vontade no caos...
...hoje, só quero a paz silenciosa do alvorecer...hoje...só quero esquecer...e novamente recomeçar...alguém já disse, eu sei...todo fim é um recomeço...e é tão bonito ter de novo a chance de escolher...de amar...de conhecer...de deixar partir...quando já não há espaço para ficar..então vá...porque já é tarde e minha passagem está no fim...eu quase fiquei...mas sou viajante...e meu porto é mais ali...livre de tudo, sigo dançando na vida...porque eu vim aprender...desmanchar nós e viver...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

É tudo tão incerto...

tão intenso...perverso

aperta meu peito

e aprisiona meu coração...

eu te procuro

mas só em mim

é que te encontro

desenhado com esmero

eu te espero

mas não sei onde andarás...

por mundos imaginários

personagem que eu mesma criei

só em mim

tu és assim

cheio de verdades e certezas

de ti... emprestei a

expressão

o sorriso

o disfarce

mas,

o todo é inexistente

eu,

tanto sonhei com a gente

vivi

meros devaneios

que me prenderam

nas grades de minhas carências...

sonhos

que acalentei com cuidado

culpa desse meu mundo

encantado

me aprisionou

ao imaginário do meu querer

mera alegoria

dos meus desejos secretos

infaustos

até para mim

és desencontro

só ilusão

és só fumaça

nada em ti

mais me cerca

ou desperta

meu coração

então fico aqui...

só espera

só saudade

só lembrança

nada em tua face me alcança

tu não és

quem eu aprendi a querer

em ti

não moram meus sentimentos

e já não é o teu toque

que eu sinto em minha pele arder

eu me apaixonei

por uma miragem

como náufrago espera socorro

como peregrino em um deserto

buscando abrigo

tu fostes

a lenda

que eu inventei...