quinta-feira, 28 de abril de 2011

faz de conta
que ela
não estava triste
e
que seu sorriso aberto
não era mera
formalidade

faz de conta
que em seu peito
não ardia
a mais triste
lembrança
de uma tarde

era somente uma
tarde de um
dia qualquer da semana

nada demais
ela só perdeu a ilusão
só chorou
o seu amor
despedaçado

faz de conta
que nada foi
dito
que não houveram
gritos
silenciados
pela ocasião

é...
faz de conta
que ela ainda acreditava
ainda sonhava


que ela não
ouvira
o som sarcástico de um
sorriso
a debochar da sua emoção
que ela ainda sentia
o pulsar do coração
intacto

faz de conta
porque é mais fácil
acreditar que 
tudo fora perfeito
que ainda havia em seu
peito 
uma lembrança pura
de amor

faz de conta
porque a fantasia
é mais amena
que a verdade
que não havia vaidade
só sentimento

faz de conta
que ela não lamentava
que não havia
em sua estrada
pedaços
destroçados de si...

terça-feira, 26 de abril de 2011

eu disse adeus...
você tampouco retrucou
era o fim
mas em mim
não sei se acabou...

eu prometi não mais te procurar
você calou
não me pediu para ficar
mas eu me perdi
na estrada
e rodando
em círculos
não sei mais nada
não sei o que esperar

eu gritei minhas verdades
te contei como dói a solidão
você,
sempre tão confuso
não entendeu a razão

e deixa em mim
a decisão
como se ficar
tivesse o mesmo significado
de nunca mais

dá de ombros
e eu sinto a indiferença
em cada gesto teu
em mim 
sinto
que algo entre a gente
...morreu...


domingo, 17 de abril de 2011

olho para você dormindo
mas
o você que eu tanto
amei
partiu

o você a quem
dediquei um amor
de adoração

a quem entreguei 
verdadeiramente meu coração

se perdeu
na imensidão
do tempo

e tua face
antes tão querida
só me mostra
 o quanto é surpreendente
a vida

o quanto o amor
é efêmero e precisa
do alimento certo
para sobreviver

quando foi que tudo se perdeu...
eu não sei

talvez,
em meio às lágrimas de 
incompreensão
nos momentos de solidão
conjunta

eu não sei...

quem sabe
nos instantes em que
eu precisei do teu 
abrigo

e em meio ao meu conflitos
percebi que
teu afeto
sempre foi
uma prisão

que 
teu carinho era sempre
um tipo de coação
a me ferir

não
não mais
tens o poder de
me levar para o inferno

e olhando para você
quase nem consigo lembrar
tua feição
tal é a distorção
com que te vejo

não
tua voz já não me causa
aquela alegria de outrora
quando um simples sorriso
era um grande alívio
para mim

e então me pergunto
como um grande amor
pode simplesmente 
morrer por inanição

pode perecer na triste
confusão
do desencontro

...adeus...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

...sai...
esquece a tristeza 
que sinto
esquece a alegria
que tanto persigo
esquece meu nome
...eu não ligo...

sai...
e leva contigo
todas as ilusões
destrói todos os
laços
pois, 
a cada
instante
ouço de volta
teus passos

sai...
mas não demonstra
felicidade
disfarça
ignora minha solidão
sai
enquanto minha
alma se despedaça...

(escrita há muitos anos atrás)
há culpa de alguém...
eu não sei...
se era previsível
esqueci de questionar...

mas,
foi sincero
sine-cera
como diriam os romanos
“puro
sem quaisquer
retoques”

límpido e sem
maldade
quem poderia julgar...
o amor não
pergunta
se há certo
ou errado

vem
muda conceitos
de uma vida inteira
dispõe vidas
enlouquece
quem o desafia

à luz do direito
poderia então
 arder em meu peito
um fogo tão
alto assim...

é justo imputar
sofrimento
devolver para mim
o resultado do
que eu escolhi...

eu não sei...

mas eu
vivo noites e dias
num tribunal íntimo
que perpetua meu julgamento

e antes mesmo
de ser condenada
já cumpro a pena
que me encarcerou
no passado

de onde relembro
cenas
de uma história
que só existiu
dentro de mim... 

terça-feira, 12 de abril de 2011

nunca mais
ninguém nunca mais
será assim 
tão dono de mim
a ponto
de machucar meu
coração

não,
nunca mais
alguém vai sorver
até o último
gole do meu amor

e não mais
me entregarei a ninguém
tão despida
de vaidade

tão entregue
nem percebi
quanto tudo em você
comandava
minha vida

quando a despedida
me fez
perder um
pedaço de mim
que só existiu
´por você

não...
nunca mais
alguém terá o 
domínio completo da
minha emoção

eu pergunto aos céus
se o que tenho vivido
é provação

mas só o silêncio
me responde

eu tenho raiva de mim
e me confronto
para expulsar
a imensa vontade
que eu tenho
de voltar

para desafiar
meus sentidos
e perguntar
se contigo
eu algum dia
fui eu 

porque meu reflexo
no espelho
me mostra
alguém que nunca vi

uma estranha
silenciosa
uma mulher
triste
chorosa
pela inocência
que perdeu

eu me revolto comigo
faço dessa raiva
abrigo
e viro guerreira
para me libertar

você verá

segunda-feira, 11 de abril de 2011

relendo velhas cartas
pedaços de mim
presos no papel

o amor 
que eu te dei
nas 
entrelinhas do que
eu calei

sonhos 
dispostos
na tela fria
de um computador

será que você
entendeu....

será que conseguiu
vislumbrar...

nas reticências
na carência
das palavras que
não conseguem 
expressar a
grandeza do meu
sentimento

...será...

me vejo aqui
tão distante
de tudo o que
a gente viveu
perdida em minhas
palavras
na essência 
que eu transcrevi

tudo em mim é
 saudade
que nem mais sabe
o que dizer

as palavras são insuficientes
não conseguem
captar a tristeza
 que eu
sinto agora

vejo tudo la fora
embaçado
a vida passando ao lado
...e eu... 
somente
relendo as cartas
que mandei para você

presa
nas lembranças
esboçadas

nas juras de amor
que 
não pude conter

no silêncio do telefone
na ausência
de um contato
qualquer

eu fico aqui
parada sem 
saber como sair

perdida
não encontro um jeito
qualquer de
descansar meu coração

eu
só me manifesto
na falta
que você me faz
nas horas
que relembro
nos instantes
que alimentam
minha alma

na despedida vazia
na ausência
tão dolorida
no beco
sem saída
onde habita
minha ilusão 


sábado, 9 de abril de 2011

...ela pediu um
milagre...

a cura para essa dor
que lhe consumia
noites e dias
sem fim

pediu à Deus
que tivesse compaixão
pois
seu coração
sangrava

compelido estava
em deixar passar
o único amor
que conhecera

mas,
os segundos se
arrastavam
sem que ela pudesse
apressar

os dias
tão longos
as madrugadas
inteiras a lhe
fazer companhia

em um outro
lugar
alguém sorria
sem saber
quão dolorida
era sua lembrança

quão triste era 
sentir um pedaço
de si
faltando

ela
quantas vezes
acordou chorando
pelos sonhos que
deixara de viver

 uma aperto
 oprimia seu peito
e 
lhe contava
que não havia nada
a ser feito
a não ser esperar

mas,
como pedir 
ao criador
que lhe amputasse
a mais bela semente
que já nascera...

e mesmo que o ar
lhe faltasse
e que sentisse
a dor física
como um reflexo da alma

era preciso ter calma
mas ela não queria 
esperar

não sabia mais
como resistir
já se acostumara a sentir
o vazio
que ele deixou...



quinta-feira, 7 de abril de 2011

eu tenho medo
de amar
e me entregar
de verdade para alguém

porque eu sei que uma hora
todo mundo vai embora

levando a alegria também

eu já ouvi os passos
de alguém que eu amava
partir

 por muito tempo eu
fiquei esperando
sentir esse alguém
voltando
não consegui

muito cedo eu perdi
um amor
alguém com um
sorriso doce
que se fechou para mim


e
me ensinou duramente
que às vezes
é preciso seguir em frente
...ouvir a razão...


alguém que partiu
mesmo estando presente
e morreu
ainda viva
mas deixou
que despedida
se eternizasse
em meu coração...

(escrito há muito, muito tempo...gravado na minha lembrança)

se me distraio
saio do caminho
que decidi seguir
e regresso
para o lugar
onde meu coração
deseja estar...

...e  a cada vez que isso acontece
é mais difícil
recomeçar...

acalmar a emoção
que me consome
outra madrugada 
insone
a me esperar

e me pergunto porque...
mas a resposta não vem
eu me
confronto além
do que suporto

essa distância me mata
 consome toda a
energia do meu ser


eu não sabia quão 
dolorido
é tentar
esquecer


...esquecer... 


o
significado do dicionário
eu não sei
para mim
é um calvário
sentença de sofrimento


dor
solidão
medo do que
não vem
mas continua
pulsando 


é lágrima reprimida
sorriso que esconde
uma dor


 um pedaço de mim faltando
que me foi arrancado 
sem explicação


peito dilacerado
chora calado
sem entender


porque foi que
perdi você


se tua lembrança
aperta meu peito
e 
até me impede de respirar


se eu te mando
embora
e já fico
contando a hora
só para te ver voltar...


não demora
....