segunda-feira, 17 de outubro de 2011



"Raros"

“Totalmente loucos,
Resolveram estar juntos
E, imperfeitos um para o outro
Estão sendo felizes no PRESENTE!
Sem a eternidade do “para sempre”
Livres!
  límpida força pungente...
Porque perfeição é conceito precário
Pois o natural é vário
e o amor um encontro de  raros...# ”
essa imagem merecia um poema,vc não acha? =D

autora: Jaci Rocha
publicado originalmente em www.aluanaodorme.blogspot.com
lindo mana! merece republicação...comovente...puro como a essência do amor... te amo muito minha princesa rara :)

sábado, 15 de outubro de 2011



...dá-me um pouco mais...
dessa fé , dessa tua certeza
dessa clareza sobre os rituais
...da vida...
...do que é importante esquecer...


fala mais...quero aprender


preciso encontrar o equilíbrio
entre uma verdade horrível
e a magia que há em mim...




diga de novo  
que tudo tem fim
que as desilusões são 
só parte de um caminho ruim
meros espinhos
nas rosas da existência

vela minha inocência
parte  dela morreu
em meio a um pesadelo

maquia minha imagem 
no espelho
disfarça meu sofrimento
não deixe que o mundo perceba
minha decepção...meu lamento...


quinta-feira, 13 de outubro de 2011


OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA
"Ostras são moluscos, animais sem esqueletos, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, de pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas - são animais mansos - seriam uma presa fácil dos predadores. Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.
Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário.

Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste. As ostras felizes se riam dela e diziam: "Ela não sai da sua depressão...". Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado na sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor.

O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.

Um dia passou por ali um pescador com seu barco. Lançou a rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-a para casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro de uma ostra. Ele o tomou nos dedos e sorriu de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele a tomou e deu-a de presente para a sua esposa.

Isso é verdade para as ostras. E é verdade para os seres humanos. No seu ensaio sobre O nascimento da tragédia grega a partir do espírito da música, Nietzsche observou que os gregos, por oposição aos cristãos, levavam a tragédia a sério. Tragédia era tragédia. Não existia para eles, como existia para os cristãos, um céu onde a tragédia seria transformada em comédia. Ele se perguntou então das razões por que os gregos, sendo dominados por esse sentimento trágico da vida, não sucumbiram ao pessimismo.

A resposta que encontrou foi a mesma da ostra que faz uma pérola: eles não se entregaram ao pessimismo porque foram capazes de transformar a tragédia em beleza. A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta. Mas ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer. Esses são os artistas. Beethoven – como é possível que um homem completamente surdo, no fim da vida, tenha produzido uma obra que canta a alegria? Van Gogh, Cecília Meireles, Fernando Pessoa...”.

(ALVES, Rubem. Ostra feliz não faz pérola. - São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2008. - Página 11-12)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

a lua é uma moça vistosa
 que se enfeita à espera
do sol

mas ele demora a chegar
incerto do que fazer

toda a natureza
em expectativa
fica aguardando cativa
a resolução de tão
difícil problema

de uma lado a lua
se encobre
do outro o sol
lhe turva a visão

ambos passam o tempo
querendo se aproximar
a lua não vem mais cedo
e o sol insiste em não
se achegar

até as estações do ano
refletem essa guerra silenciosa

às vezes tão quente
noutras
...chorosa...

e essa é a peleja de amor
dos elementos da vida...
o sol ficou com o dia
e a lua...
se escondeu no sereno...
o coração pequeno
com medo
que ele nunca decida voltar...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

me dá a mão?
esqueça um instante a razão
que te leva para longe de mim...

me fala um pouco mais
desse sentimento
 dessa afeição sem lamento
que só conheço
de te ouvir falar...

me dá a mão... ?
guia meu coração
porque ele anda sofrido
atormentado por
uma ilusão
um passado perdido...

me dá  a mão?
me convida outra vez
para dançar
esqueça...foi a última vez
que te fiz chorar...

então...
me dá a mão?
me conduza para longe
de mim...
me afasta dessa tristeza
desse lamento sem fim...

me dá a mão...pela última vez...
tá tocando aquela canção
a mesma que um dia
 te chamei p dançar...
...não tires teu olhar do meu...
não finjas que estou ausente...
esse mesmo olhar, já me fitou
...de frente...


me segredando a essência
que é o cerne de sua existência
feito menino carente
esse olhar para mim...foi transparente...


não me condenes agora
à uma despedida 
indesejada


de repente...
sinto uma angústia 
desconhecida...
uma tristeza inesperada...


se me negas um olhar...
um sorriso
perco o rumo
e o tudo que a gente viveu
em tão pouco tempo...
...perde o sentido...


insistes em um silêncio
que me foge a interpretação
como um muro me isolando do
teu mundo
como uma barreira invisível
...um sonho possível...
que
escapou de minhas mãos...
feito areia no deserto
tão perto!
e tão impossível para mim...


me condenas, então!
sem que possa me defender...


ato jurídico nulo...
sentença eivada de vícios...
me ensinas direito?
ah!
esquecestes os preceitos que
me fizeram aproximar...


e agora...
me negas um olhar...
esse olhar doce que enxergando
um abismo profundo
me resgatou de um outro mundo...
...conseguiu me alcançar...

sábado, 24 de setembro de 2011


o vento
soprou um oração
...um lamento...

a lua chorou...
e suas lágrimas
alcançaram o mar...
que desnorteado
transbordou...

a noite cobriu tudo

com seu manto escuro


e até o vaga-lume
se apagou...

a vida fazia uma elegia
uma poesia
e toda essência
...calou
fazendo reverência

a madrugada,
velha companheira
de solidão
demorou-se mais a ir embora
ela que comigo ri
agora também ora

implora ao pai de toda
energia viva
é um pedido sentido
rogando à Deus um abrigo
um esconderijo parar
meu peito dolente

minh’alma tão descontente
perdeu-se por não se entregar...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

...e hoje Deus sorriu...
o caminho foi dolorido
quantas noites teria sofrido
àquela filho seu...

vezes sem fim
tentou chegar mais perto
tocar-lhe a face..

hoje eu vi Deus chorar!
tão comovido estava
...seu filho voltava para casa...
e aceitava ser abraçado...
haveria maior legado
que vê-lo retornar...

subindo as escadas
com a esperança de um menino
serviu cafezinho
sentindo-se rei...
...só por um dia...

ganhou um chaveiro vermelho...
compartilhado com rostos
plenos de amor...
era mais uma das chaves...
mais uma etapa da cura
 ...para sua dor...

o semblante leve
de quem só por hoje,
 venceu a maldade
no rosto um sorriso 
olhar que conhecia um segredo...

afinal...ele vencera o medo
dizendo somente ...seu nome...
...e quantos dias estava na estrada...
o mais...
 entregara ao Deus pai

que envolto da mais pura energia do amor
no colo, 
carregou
seu filho querido...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

há uma parte de mim...
que não consigo entender...

por vezes me desafio...
chego quase a enlouquecer...

sou feita de uma matéria
macia...
possuo o dom de acalentar...
eu amo e amo muito
mas
...se desacredito...eu sofro...grito...choro
e num instante
faço o velório...porque
algo morreu

de outro lado sou como uma concha
que se nega a ouvir o canto do mar...

sou dura e tenho limites
de ferro e fogo
só não mordo
porque me falta a ocasião

por vezes sou toda razão
noutras...chego às raias da demência
não me fales em clemência!

há um tribunal de exceção
que habita em mim
e quase sempre sou ré principal...

se condeno
ou absolvo

se me entrego
ou decido partir




ah...
não questiones...
pois quando vou embora
a metade de mim que ainda
chora...
é trancada em um porão...

“Escarlate!”

Faz amor com a minha mente!
Conta tuas impurezas
Sem vergonha
Diz do que em ti é fogo e paixão
Não tem medo
Desvirtua  a razão
...
Dá-me de ti o que ninguém teve!
O gemido mais sentido
O toque lívido, urgente
Teu lado secreto e demente
Entrega ao que somos!
Mostra quem tu és
e não me diz teu nome
...
               Enlouqueça-me!
      Tira a roupa  da boneca de pano
        Faz do amor o maior pecado
                  Vira do avesso
           O que fica na estante
           (des)mancha o semblante
                           ...
           Faz um pacto de sangue!
           Teu suor pinga em mim
        Respinga em tinta de caneta
     Muda a cor branca desta página
           Deixa tudo em pecado
                  Vida e morte
                 Em escarlate!...#
autora: Jaci Rocha                                                                                                       

·         * Enquanto revia  “Último tango em paris” , a poesia fluiu..

LLINDO! MINHA IRMÃ TEM UMA SENSIBILIDADE INIGUALÁVEL...MEIO ADULTO DEMAIS PARA MEU BEBÊ, MAS ENFIM...FALOU DE PAIXÃO...DE MISTURA DOS SENTIDOS DE MANEIRA MUITO DELICADA E AO MESMO TEMPO FORTE...MERECEU UMA RÉPLICA AQUI NO MEU BLOG... POSTADO ORIGINALMENTE POR www.aluanãodorme.blogspot.com (AUTORA Jaci Rocha) ti amu :)