terça-feira, 5 de agosto de 2014

ela ainda tinha algo a dizer
mas
a peça acabou
sem um final definido

ela então
olhou para todos os lados
tentando uma maneira
alternativa de interpretar
essa ausência
que se tornou um fenecer
de sua alma

ela
sempre tao ansiosa
e cheia de argumentos
somente calou-se
e
assim passou o momento...
 
ela queria ter dito
que o amor
e um pedaço
de nós
descrito em um outro
pulsar

ela queria falar
e
contar que apesar de
quase nada saber

ela sabia quem era
e
independentemente
da primavera...

ela sabia florir
mesmo quando
precisasse partir
ainda que quisesse
ficar...


(desconheço o autor da imagem)



domingo, 4 de maio de 2014

...quem sou eu?
não me traduza em uma
estrofe
nem me dê uma
etiqueta

eu sobrevivo
de letras...

como pontos de luz
em uma noite escura

entre a demência e a “cura”

há um quase louco
docemente declamando
poesias...

 

ele teme ser apenas parte
da paisagem
da passagem
do dia...

que eu sou???

não me mostre um espelho
buscando um reflexo
meu nexo
tem um tom reservado

 

eu sou feita de nuvem
e me desfaço
 na tempestade

dela...
sou parte
e
me reinvento ao primeiro
pingo...

...uma lágrima só...

corajosa
firmando um caminho desconhecido
mas...
meu “ninho”
espera por mim...

quem sou eu??
não me pergunte

afinal,
eu também estou aqui!!!!

me vesti com o corpo adequado
e
neste lugar
tenho encontros marcados
provas...que
com todo cuidado
eu mesma escolhi para mim....

então
não me desenhes
em preto e branco

eu me transmuto
de acordo com o tom
da vida...

e
 
há cada chegada e partida
dou-me mais uma pincelada...
mais um passo
na minha singular
e particular...estrada...


eu te fotografei na minha lembrança
e
eternizei nossa história
em um poema

sozinha
desmarquei a cena
e "deslembrei" o caminho
que me levava até ti


para não haver o risco
de fraquejar


sim


o amor não acaba
mas
às vezes decide partir


quando vivenciar
tem o poder de
desenterrar
um velho fantasma


eu vi
quando você percebeu
que meu olhar
preteriu o teu


e apenas passou a ser
parte da paisagem


é preciso
muita coragem
para renunciar


quando o corpo arde
e
o coração palpita


quando a fala cala
mas,
a alma grita...
querendo entender



porque?
fala baixinho amor...
fala brando comigo
...eu tenho medo de ouvir-te
tão perto da minha lembrança

olha-me de um jeito afável
não derrame em mim
essa fúria incontida

eu já presenciei
muitas vezes
o amor
pouco a pouco morrer
engasgado de tanto sofrer

eu já fui resto de brisa
tentando aceitar
que às vezes
o mar precisa ir
seguindo a vazante

mesmo que deixe chorando
em outro porto
sua amada...amante...

mas
não desesperes amor
há uma certa delicadeza em deixar
que algo assim vá embora

como se a aurora se renovasse
e
mansamente explicasse
que o amor
sem o alimento adequado
também enlouquece

e
esquece
que nasceu para iluminar
o caminho

dos viajantes...

quinta-feira, 7 de março de 2013


Tão perto e tão longe
a um toque das mãos

distância forçada
sofrida
e
apesar de tudo
...escolhida...

efêmero a ponto de virar fumaça
e ainda
fazer círculos em meu coração...

...eu disse não...

mas teu silêncio e mansa
concordância
fizeram-me chorar

a ponto de não mais dormir
e ainda assim
tentar acordar...

...então tá....

eu preciso agora
aceitar que estarás sempre aqui
e
ver teu olhar me
deixar de lado...lá no passado
num
tempo inacabado
que
gritava por acontecer...

tal qual a brisa
esperando a madrugada
minha alma segue
calada
perdida entre o eu
e  você...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012


tal qual cego que nada vê
seguindo somente os instintos
qual bêbado que não percebe a direção
eu andei na contramão
de mim

atravessei os abismos que compõem quem sou
...já foi amor...
o mais puro respingar de ilusões
estilhaçados nos traços que
a gente desfez...

passou a nossa vez...
a estação correta ficou para trás
voltar?
não dá mais
eu me tornei uma estranha
para o nosso “sentir”

então
como explicar essas lágrimas turvando minha visão
esse bater pesado do coração
que insiste em perguntar
acabou??

Onde foi que a gente errou?
nos traços mal feitos
nos encontros que não mais tocaram
minha essência
resumindo-se à carência do que nem sei...

...lábios estranhos beijei...

e me intimidei com tamanha isenção
de querer...

foi sempre você
e agora o que faço com esse vazio
em meu peito?

O que digo para as perguntas que não querem calar...
Eu queria te abraçar e ter certeza
De novo do “nós”
Mas
O você que já foi parte de mim
Tal qual fumaça num dia nublado
Como pingo de chuva
No meio de um lago
Perdeu-se na imensidão do meu sofrimento
Do meu lamento cansado
De tanto esperar que um dia viesses...
Tu
Que já fostes o inteiro teor de
Minhas preces...
Decidistes apenas...partir...

Deixando-me ferida de morte
À sorte de mim

Foi assim...
Que em um dia qualquer
Queixando-se de tanta dor
Minha alma encontrou um bálsamo
Uma fuga para tão pungente sofrimento

Como se fora criança
Querendo um colo encontrar
Amparou a tristeza em um abraço
Firmou um laço
Que se fortaleceu

Então olhes para mim
E me convença que ainda há solução
É que meu coração
Tem tanto medo desse querer...
à guisa daquela intempestiva mulher
Sedenta de “ser”
Somente para estar
...com  vc...

Eu me perdi...

domingo, 1 de julho de 2012


...e se eu for antes de você...?
não me cubra de rituais
...não há sentido em versos repetidos...
...deixe a mãe natureza em paz...

...mas se quiser lembrar quem eu sou...
...planta uma flor...
que não seja daquelas ornamentais
...prefiro ser...
... margarida que nasce em qualquer lugar...
... rosa que espalha perfume
...imune à maldade do mundo...

...dá-lhe ao menos um segundo
do teu dia ...
... ela se alimentará da minha essência delicada...
 e te contará quanta força eu fiz
para cumprir a missão que me foi dada...


...chore se quiser...
um anjo um dia me falou
que há lágrimas em qualquer despedida
...porém...
que minha partida...
não te paralise de dor

...mas,
 se eu for antes de você desta vida...
...encontra-me num fim de tarde
...naquele instante em que o sol beija o mar...
e tenha certeza
...que enquanto eu puder sentir...
...de qualquer lugar...
...vou te amar...

segunda-feira, 25 de junho de 2012


...eu não sou para ti...
tens em tuas mãos um raro
pedaço do meu coração
solução de um
pesadelo que há tempos
me cerca

...sim...
a porta está aberta
mas não há para onde ir

...eu não sou para ti...
simplesmente porque
a vida quis assim...
deixou-te tão longe de mim
e
ironicamente
apresentou-nos em um sonho...

...eu não sou para ti...
sou rosa brotada em janeiro
meu jardineiro
era excêntrico
e
me vestiu de inúmeros tons
deu-me várias faces...

não!
...eu não uso disfarces...
é que minha alma tem sede
de saber
e se alimenta do lúdico
daquilo que não se pode
ver...
então,
apenas sinta em mim...

eu não sou para ti...
trazes contigo um brilho estranho
os olhos dourados
tem o dom de me distrair

me fazer pensar
...até onde...
...até onde poderia ir...

mas,
...eu não sou para ti...

tenho raízes fincadas em outro lugar
a essência do que me componho
está lá...
e
longe eu fico murchando
qual flor
arrancada do deserto
e
deixada em um estufa...

não perguntes de quem é a culpa...
apenas...entenda...

...eu não sou para ti...
...

domingo, 24 de junho de 2012


...não queiras me reter...
eu me desfiz feito grão de areia
e um rio de lágrimas
me banhou...

...foi por amor...!

mas esta partida
já se desenhava
tal qual o dia
que anuncia uma nova alvorada
ainda que a tempestade não
permita que sol
o clareie

não acuses meu coração de traidor
pois ouço em tua voz
um tom de descrença
um pedaço do  “nós”
em suspense

nããão!

não digas que foi de repente
o caminho foi tão dolorido...
como pôde não ouvir meus gemidos
e
minha alma se destroçando...

...que pretensão há
em segurar um grão
que se desfez...???

é insensatez!!!

como chorar por
um dia de primavera chuvoso...

ou pela flor
que desistiu de cair
ignorando que já
se fazia outono...

sábado, 23 de junho de 2012



...eu vou ficar em você...
como um perfume
que deixou de ser fabricado
mas se nega a sair do olfato
..como raro aroma
preso em um frasco barato...

Ah!...eu vou ficar...

...eu vou ficar em você...
como um momento que não pôde
acontecer
gravado em sua lembrança...

como uma tela a óleo
que nunca secou...
sempre ganhando novas
marcas
...
esperando eternamente
 a pincelada final...

...eu vou ficar em você...
como uma música
faltando uma estrofe
uma poesia
sem métrica alguma
perene em sua
licença de “ser”

ah...e quando a noite chegar
eu ainda  vou estar lá

formigando em suas mãos
com a sensação daquele toque
interrompido

daquele  último gemido
de “adeus”...