sexta-feira, 20 de maio de 2016

...dias desses eu cai...
e mesmo quase sem demonstrar
ainda hoje senti dor

ainda agora
tento encontrar um meio de
levantar

e começar a trilhar
um caminho diverso
daquele por onde ando
divagando

é...

dias desses eu cai
e na queda
por descuido ou
ironia

perdi também a alegria
e
até ando duvidando que ela habitou em mim

sim,

dia desses eu cai
e até então
nem havia percebido
quanta dor haveria eu
sentido

naquela queda que ainda não superei

dia desses eu cai 
sim
mas não chorei

Resultado de imagem para menina caindo
e agora as lágrimas insistem em ficar
aqui comigo relembrando
que dia desses eu cai
e nem sabia
quanta tristeza existia
em cair
e tentar disfarçar

...

É...
Dia desses eu cai
e agora
tentando reerguer
sinto um latente gemido
destilando em meus ouvidos
daquele grito

que eu calei...
...ei...
não rias de mim,
nem procures meu amor em
meio aos meus lamentos

eu aprendi que o tempo
abranda e refaz os pedaços quebrados

mas,
tomes cuidado
enquanto eu me reinvento,
eu também reescrevo
os sonhos da minha vida

enquanto eu
silenciosamente choro sem te dizer
tento encontrar uma forma qualquer
de esquecer
e
acabar de vez com essa tormenta
desvairada

é...

novamente eu e as madrugadas
rediscutindo e avaliando
 os planos da minha vida

não

não compreendo esse querer
tão complicado
 
 vá...

enquanto eu aqui reaprendo a escrever
e
recomeço a desenhar

sim, moço
eu tenho um mundo particular
e nele
sou toda exposta
tiro a beca e deixo que
a tristeza se exponha

vá...

enquanto eu
fecho pouco a pouco
qualquer porta que me levasse até ti...

e fico aqui
rabiscando meus versos
o rímel borrado
de tanto tentar entender

porque...

domingo, 13 de dezembro de 2015

...eu não vim para estar contigo...
meu corpo é abrigo
é palco de amor

eu me alimento de poesia
e no meu quintal
há um beija-flor....

sou feita de nuvem
e sustento
as estações
bem definidas
nunca vivi
um verão
antes que a primavera
 nascesse em meu coração...
e ainda é outono...em mim...

eu não vim para estar contigo
sou alicerce de uma casa
mal construída
mas,
não me interprete mal

lá há amor
há vida...

eu vim para fortalecer
as estruturas
vim lapidar os tesouros
que lá habitam...

vim para amarrar laços
e desprender nós...
meu caminho é a sós...

não eu não vim para estar contigo
não tenho sangue de paixões desenfreadas

sou porcelana
pintada à mão...

tenho no coração
um armário
onde guardo um sonho
e
um relicário

um diário velho
que me descreve
e me
ensina quem sou...

não
eu não vim para estar contigo
então não me perguntes
porque de repente
ficastes em mim
assim
preso em meus pensamentos

tal qual
maresia
que colhe da terra
velhas quinquilharias e
as retira de seu contexto...

não...
não me descreva em um texto

pois sou efêmera e plural

sou bicho do mato
sou rosa e sou cacto
e

não vim para estar contigo

sou maré mansa...lago perdido
no deserto

...nem sei ao certo

...o por quê...?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015



...então é dezembro outra vez...
e eu que não vi o ano inteiro
fico aqui a perguntar...
onde foi parar o último janeiro....

...e todas as promessas ...sonhos e devaneios
...eu não sei...

Confesso que os meses voaram e eu não vivi as estações
...não senti o frio cortante do inverno ... diluído pelo aconchego de um abraço querido...

Esse ano eu não vi as folhas caírem no outono...e...
as árvores orgulhosamente mostrarem seus portes despidos...
ou as folhas coloridas enfeitando as ruas ....

....

Eu não vi a primavera chegar
E com ela o primeiro Ipê novamente vestir-se de flor....

...

Não...esse ano quase nada mudou...

externamente...o ano passou
num piscar...tão de repente
como uma ventania

mas dentro de mim...
algo enfim aconteceu
um velho e triste sentimento morreu
desgastado de tanto sentir...

a ele eu dei tudo o que tinha
toda a doçura e a paciência
que não me compõem

e aos poucos fui me despedindo ...
dizendo adeus
mas, quase ninguém percebeu

olhares descrentes questionam como
num segundo
algo infinito perdeu-se em meio
às confusas estações do ano que finda...

...como se fora janeiro ainda
E meu coração não tivesse vivido
Cada instante perdido
Desse ano que não passou...

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Para João




…o tempo é vário, João…
uma nota de melodia

num dia qualquer...
uma conta de um escapulário
um rosário
uma prece
...cenário de fé...



não te preocupes com o amanhã
cada amanhecer traz um verbo
singular
um entremeio entre o agora
e o que já não pode ficar...

mas,
não te desesperes João
nem tudo tem explicação racional
às vezes,
a única solução
é deixar o coração escolher

não te permitas entristecer
com a pouca certeza do mundo
pois
a cada segundo
uma nova oração
reescreve os caminhos
de nossas vidas...

não há partida!
apenas...um “até mais”...

terça-feira, 5 de agosto de 2014

ela ainda tinha algo a dizer
mas
a peça acabou
sem um final definido

ela então
olhou para todos os lados
tentando uma maneira
alternativa de interpretar
essa ausência
que se tornou um fenecer
de sua alma

ela
sempre tao ansiosa
e cheia de argumentos
somente calou-se
e
assim passou o momento...
 
ela queria ter dito
que o amor
e um pedaço
de nós
descrito em um outro
pulsar

ela queria falar
e
contar que apesar de
quase nada saber

ela sabia quem era
e
independentemente
da primavera...

ela sabia florir
mesmo quando
precisasse partir
ainda que quisesse
ficar...


(desconheço o autor da imagem)



domingo, 4 de maio de 2014

...quem sou eu?
não me traduza em uma
estrofe
nem me dê uma
etiqueta

eu sobrevivo
de letras...

como pontos de luz
em uma noite escura

entre a demência e a “cura”

há um quase louco
docemente declamando
poesias...

 

ele teme ser apenas parte
da paisagem
da passagem
do dia...

que eu sou???

não me mostre um espelho
buscando um reflexo
meu nexo
tem um tom reservado

 

eu sou feita de nuvem
e me desfaço
 na tempestade

dela...
sou parte
e
me reinvento ao primeiro
pingo...

...uma lágrima só...

corajosa
firmando um caminho desconhecido
mas...
meu “ninho”
espera por mim...

quem sou eu??
não me pergunte

afinal,
eu também estou aqui!!!!

me vesti com o corpo adequado
e
neste lugar
tenho encontros marcados
provas...que
com todo cuidado
eu mesma escolhi para mim....

então
não me desenhes
em preto e branco

eu me transmuto
de acordo com o tom
da vida...

e
 
há cada chegada e partida
dou-me mais uma pincelada...
mais um passo
na minha singular
e particular...estrada...


eu te fotografei na minha lembrança
e
eternizei nossa história
em um poema

sozinha
desmarquei a cena
e "deslembrei" o caminho
que me levava até ti


para não haver o risco
de fraquejar


sim


o amor não acaba
mas
às vezes decide partir


quando vivenciar
tem o poder de
desenterrar
um velho fantasma


eu vi
quando você percebeu
que meu olhar
preteriu o teu


e apenas passou a ser
parte da paisagem


é preciso
muita coragem
para renunciar


quando o corpo arde
e
o coração palpita


quando a fala cala
mas,
a alma grita...
querendo entender



porque?
fala baixinho amor...
fala brando comigo
...eu tenho medo de ouvir-te
tão perto da minha lembrança

olha-me de um jeito afável
não derrame em mim
essa fúria incontida

eu já presenciei
muitas vezes
o amor
pouco a pouco morrer
engasgado de tanto sofrer

eu já fui resto de brisa
tentando aceitar
que às vezes
o mar precisa ir
seguindo a vazante

mesmo que deixe chorando
em outro porto
sua amada...amante...

mas
não desesperes amor
há uma certa delicadeza em deixar
que algo assim vá embora

como se a aurora se renovasse
e
mansamente explicasse
que o amor
sem o alimento adequado
também enlouquece

e
esquece
que nasceu para iluminar
o caminho

dos viajantes...

quinta-feira, 7 de março de 2013


Tão perto e tão longe
a um toque das mãos

distância forçada
sofrida
e
apesar de tudo
...escolhida...

efêmero a ponto de virar fumaça
e ainda
fazer círculos em meu coração...

...eu disse não...

mas teu silêncio e mansa
concordância
fizeram-me chorar

a ponto de não mais dormir
e ainda assim
tentar acordar...

...então tá....

eu preciso agora
aceitar que estarás sempre aqui
e
ver teu olhar me
deixar de lado...lá no passado
num
tempo inacabado
que
gritava por acontecer...

tal qual a brisa
esperando a madrugada
minha alma segue
calada
perdida entre o eu
e  você...